4/15/2024

Nasce o primeiro projeto de candidatura coletiva para a Câmara Municipal da história política de Imperatriz

 

Marita Ventura, jornalista, Liana Melo, advogada e empreendedora, Cris Barata, terapeuta sistêmica são três mulheres bem sucedidas, reconhecidamente competentes e boas no que costumam fazer; geralmente com muito foco. O trio, depois do incentivo de amigos e o apoio da família, vai protagonizar a primeira candidatura para vereador (a) coletiva da história política de  Imperatriz, uma novidade na cidade.

As três estão filiadas ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que federado com o Cidadania, integra o rol das legendas do arco de apoio do pré-candidato prefeito do PP, Rildo Amaral.

As três amigas, que costumam desenvolver, e sem envolverem juntas em ações e projetos sociais, manifestavam a intenção de gestar uma candidatura para vereadora, mas, entenderam que juntando as forças as chances de uma campanha vitoriosa aumentariam bastante.

“Como não há nenhum impeditivo legal e o Brasil atualmente conta com vários coletivos eleitos, incluindo um na nossa capital, entendemos de seguir juntos e nos apresentar para o eleitorado da cidade” declarou a jornalista Marita Ventura.

“Nossa maior ambição é ganhar a eleição e representar bem, na Câmara Municipal, as mulheres da nossa cidade” comentou Liana Melo.

Já Cris Barata disse que entre as várias motivações para participar da empreitada é constatar a baixa representatividade da mulher no parlamento municipal. “Esperamos que o eleitorado imperatrizense preste bem atenção nas propostas do nosso coletivo e nos conceda a oportunidade de garantir uma das 21 cadeiras da Câmara Municipal” comentou

NOVIDADE 

Mesmo ainda sem constar em uma lei específica, as candidaturas coletivas têm se mostrado uma tendência no Brasil.  A cada ano os projetos coletivos de candidaturas proporcionais só têm aumentado. Dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral assinalam que no ciclo eleitoral de 2016 e 2018, chegaram a 96. Já em 2020, foram registradas 257 candidaturas coletivas nas eleições municipais.

Como o próprio modelo sugere, o mandato coletivo se traduz na divisão de um mandato parlamentar entre mais de uma pessoa.  Não existe hierarquia e as decisões, dentro de um entendimento prévio, são colegiadas.

Como não existe uma lei que regulamenta a inovação o que há previamente, umas vez definido o projeto, o partido, a linha de atuação, bandeiras, é um acordo entre as partes que para ganhar força legal, muitas ou  quase todas as vezes é registrado em cartório.  No caso de eleição, apenas a cabeça da chapa tem os direitos de um parlamentar, tais como discursar no parlamento, integrar comissões, mas tudo com base nas decisões tomadas coletivamente, incluindo a formação do gabinete e a divisão do subsidio.

 

 

4/01/2024

Candidaturas coletivas são realidades no Brasil

 

Candidaturas coletivas são realidades no Brasil

Mais democracia no parlamento brasileiro.

 

ElsonMAraújo

 

Toda eleição dois temas aparecem com frequência no País.  E a cada uma delas, com mais força. O primeiro, é a possibilidade do registro de candidatos avulsos, ou seja, sem filiação partidária.

Brasil afora, mesmo sabendo que segundo a Constituição Federal de 1988 que uma das condições de elegibilidade é estar filiado a um partido político, diversos candidatos tentam registrar-se nesse formato. Como não poderia deixar de ser, pela inconstitucionalidade esses pedidos são barrados pela Justiça Eleitoral.  O tema se tornou tão repetitivo que “entrou na fila da repercussão geral” do Supremo Tribunal Federal (STF)  tendo chegado àquele tribunal em sede de Recurso Extraordinário.

Incluída pela Emenda Constitucional 45 de 2004, a repercussão geral é um dos requisitos de admissibilidade do recurso extraordinário no STF, sendo selecionado para análise de acordo com critérios de relevância jurídica, política, social ou econômica, (Art 1035 do Código de Processo Civil de 2015). Justamente no que se enquadrou o caso das candidaturas avulsas, ainda sem data para uma definição por parte do STF.

O segundo tema, por enquanto sem muitas ou quase nenhuma controvérsia, porque ainda não há   nenhuma lei que permita ou que proíba, são as candidaturas proporcionais (deputado/vereador) coletivas.

Mesmo ainda sem constar em uma lei específica, a inovação tem se mostrado uma incipiente tendência no Brasil.  A cada ano os projetos coletivos de candidaturas proporcionais só têm aumentado. Dados do próprio Tribunal Superior Eleitoral assinalam que no ciclo eleitoral de 2016 e 2018, chegaram a 96. Já em 2020, foram registradas 257 candidaturas coletivas nas eleições municipais.

Como o próprio modelo sugere, o mandato coletivo se traduz na divisão de um mandato parlamentar entre mais de uma pessoa.  Não existe hierarquia e as decisões, dentro de um entendimento prévio, são colegiadas.

Como não existe uma lei que regulamenta a inovação o que há previamente, umas vez definido o projeto,  o partido, a linha de atuação, bandeiras,  é um acordo entre as partes que para ganhar força legal , muitas ou  quase todas as vezes é registrado em cartório.

Como não há regramento previsto em lei, caso eleito, apenas a cabeça da chapa tem os direitos de um parlamentar, tais como discursar no parlamento, integrar comissões, mas tudo com base nas decisões tomadas coletivamente, incluindo a formação do gabinete e a divisão do subsidio.

Em 2022, com a chegada da novidade, houve um posicionamento do TSE que autorizou a menção do grupo coletivo na composição do nome do candidato ou candidata nas peças de campanha.

O entendimento atual daquela corte é que esse modelo representa mais uma maneira de ser promover a candidatura. Na época, o ministro Luiz Edson Fachin explicou que o registro permanece de caráter individual, justamente porque ainda não há na legislação brasileira o conceito de candidatura coletiva, mas pode ser promovida e anunciada para o eleitorado. A novidade naquele momento foi a autorização para que o nome do coletivo, além da foto do detentor (a) do registro, constasse na urna eletrônica.

Atualmente tramitam na Câmara dos Deputados pelo menos três propostas que buscam regulamentar as candidaturas coletivas. O projeto de Emenda Constitucional (PEC -379/17) e o Projeto de Lei 4475/20.  A outra proposta é o Projeto de Lei 4724/20,  que cria a figura dos coparlamentares.

Apesar dessas iniciativas, convém ressaltar que há outra corrente de pensamento legislativo que é contrária aos projetos coletivos de candidaturas proporcionais, mas ao que parece, pela força da iniciativa tudo indica ser um caminho sem volta, assim como deve ser, lá na frente, a autorização para as candidaturas sem partido. Mais democracia no parlamento brasileiro.

 

 

 

 

 

3/25/2024

SOMOS MAIS DE UM

 

ElsonMAraújo

 

Somos mais de um, em um corpo só. O mais forte é aquele que alimentamos melhor

 

Na ficção, o filme Fragmentado causou espanto ao evidenciar um vilão que dava vida, ou melhor, acumulava várias personalidades. Cada uma com suas peculiaridades. Uma sem nenhuma comunicação com a outra, a não ser o corpo aparente. Um filme que merece ser visto mais de uma vez para uma melhor compreensão.

A produção de 2016, dirigido M.Nigth Shyamalan , gira em torno do personagem Kevin, que possui 24 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente com  força do pensamento. O filme é inspirado no documentário “Monstros interiores: as 24 personalidades de Bily Milligam”

Em miúdo, a produção mostrou, com os devidos descontos, um distúrbio que tem nome, e é objeto de estudos profundos. Denomina-se transtorno dissociativo de identidade, anteriormente denominado transtorno de personalidade múltipla, que é quando duas ou mais identidades se alternam no controle da mesma pessoa.

Pode ser considerado raro, mas existe. E Sem trocadilho: há muitas pessoas com personalidades múltiplas mórbidas, e nem sabem disso.

Ano passado, se não me falha a memória, o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem especial sobre o tema. Vi a matéria, fundamentada com algumas entrevistas de pessoas supostamente com o disturbio, que logo me reconduziu à memória de fragmentado. A matéria mostrou que de fato estudos comprovam que é possível que um ser humano acumule personalidades distintas. Ali, pude constatar que ainda há muito, mais muito, no ser humano, principalmente as coisas produzidas no cérebro, para ser estudado.

Há mais de duas semanas que me debruço sobre uma versão digital do livro “Cérebro: Uma biografia”, do neurocientista e professor da Universidade Stanford (EUA) David Eagleman. Uma obra inquietante, publicada em 2017, onde o autor com muita base científica, mas de modo bem didático, dá detalhes sobre alguns dos aspectos estudados e conhecidos de um dos órgãos humano dos mais pesquisados.  No atual grau de evolução  do homo sapiens, essa massa se apresenta com um quilo e meio, e conforme o autor, abriga cerca de 86 bilhões de células nervosas, além muitos mistérios.

Em algumas passagens do livro é possível atentar para  complexidade do funcionamento do cérebro humano, principalmente quando ele fala do controle de impulsos e do complicado ato de escolher.

Nunca imaginei que uma simples escolha mobilizasse, inconscientemente, tantos mecanismos internos e tantas batalhas de Eus, até se materializar. O autor de uma biografia do cérebro para se fazer entender refere-se ao conflito do ato de escolher como um verdadeiro parlamento neural, onde diversos partidos políticos rivais se digladiam para comandar o Estado.

“Somos criaturas complexas de muitos impulsos e todos eles querem ter o controle” escreve David Eagleman que completa: Sem a capacidade de pesar alternativas, seríamos reféns de nossos impulsos mais fundamentais. Nosso cérebro faz avaliações sociais constantemente. O cérebro tem instintos inatos para contactar quem é digno de confiança e quem não é”

Nesse momento não teve como não ser reconduzido, pela enésima vez, a alguns momentos do filme   Fragmentado.

Pensando bem, desconsiderando-se as situações que carecem de intervenção psiquiátrica, se a gente parar e pensar um pouquinho sobre nosso comportamento de todos os dias e de todas as horas, logo vamos descobrir que na verdade todos nós, somos mais de um. Não é loucura. Em determinado momento surge um EU simpático, educado, em outro, um EU diverso agressivo, insensível; e capaz de múltiplas maldades, se não for contido. São EUS que não se pode contar, num conflito permanente.

Depois da leitura de Cérebro: uma biografia, uma conclusão elementar: é preciso que adquiramos a consciência de que, queiramos ou não, em regra somos seres múltiplos que ocupam um único corpo e os que prevalecem são aqueles que mais alimentamos. Se o alimentarmos, crescem tanto os EUS do bem, quanto os EUS do Mal.

O EU que gosta e o que não gosta de leitura, o vilão e o bandido, o político e o apolítico, o ansioso e o não ansioso, o seguro e o inseguro, enfim, são EUS em quantidades difíceis de contar, mas que necessitam de vigilância consciente para que a gente não perca o controle e venha precisar de apoio psiquiátrico.

O curioso quando a gente descobre que todas essas batalhas de EUS, ocorrem na escuridão das quatro linhas dessa massa cinzenta, muito bem protegida numa caixa craniana, e que é responsável pela conexão todas as funções físicas e emocionais (consciente e inconsciente), e as ações voluntárias e involuntárias do nosso corpo.

Indo para o final, a ciência já comprovou que o desenvolvimento físico do ser humano é céfalo/caudal. Denominação esquisita para dizer que tal desenvolvimento ocorre da cabeça para o resto do corpo.  O equilíbrio primeiro é o da cabeça.  Depois segue o fluxo.

É de supor que se esse fenômeno ocorre da cabeça para os pés porque há algo muito importante e valioso ali que não pode sofrer danos, e que precisa ser preservado.  Um santo graal chamado cérebro.

Danifique-se esse órgão, e a depender da região afetada, o ser humano sofre mudanças físicas e comportamentais. Pode se perder os movimentos de membros, e até ter nossos festejados sentidos sensoriais, como o olfato, paladar, tato, visão e audição, avariados.

Não sou eu quem digo, são os estudos realizados e os fatos. Quando alguém sofre um derrame cerebral grave, um acidente doméstico ou de trânsito, e bate forte na cabeça, por exemplo, é comum surgirem “defeitos” graves. Nosso colega jornalista Aurino Brito, de saudosa memória, sofreu anos atrás um AVC e embora não tenha perdido movimento dos membros inferiores e superiores, teve a área do cérebro responsável pela fala afetada, e nunca mais pode falar.  Cito ele, mas temos vários exemplos.

E de volta à Cérebro: uma biografia, encerro o texto deste final e início de semana com uma frase do autor sobre os mistérios do Cérebro: “O corpo com que chegamos é, na realidade, apenas o ponto de partida para a humanidade

 

 

 

 

 

 

 

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3/03/2024

OS CEM ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE IMPERATRIZ

                                                     Godofredo Viana, presidente do Maranhão 
                                                     em 1924

ElsonMAraujo

 

Imperatriz é uma das únicas cidades do Maranhão que entre as datas magnas, historicamente, celebra a da fundação, 16 de julho de 1852, e não da emancipação política, ocorrida dia 22 de abril de 1924, como acontece com a grande maioria dos municípios maranhenses.  Nesse aspecto, junta-se a São Luís, a capital maranhense fundada pelos franceses a oito de setembro de 1612, fundada no curso do segundo século da chegada dos europeus nas terras do pau brasil.

De forma esparsa já tem algum tempo que o 22 de abril é lembrado por historiadores e pesquisadores da cidade.  O jornalista e pesquisador Edmilson Sanches cita a data na Enciclopédia de Imperatriz, e sempre que o momento requer, nas suas palestras, também lembra a data esquecida.  O jornalista Coló Filho, de O Progresso, é outro que, uma vez ou outra, chama a atenção para essa página esquecida, ou deixada de lado, da história da terra fundada pelo Frei Manoel Procópio.

Com a criação do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz (IHGI), ao considerar-se que em abril próximo ocorre o centenário de emancipação política da cidade, o tema passou a ser objeto de pesquisa de seus membros; destacando-se o acadêmico Ribamar Silva, que também tem assento na Academia Imperatrizense de Letras.

Ribamar escreve um livro sobre a implantação do Poder Legislativo em Imperatriz, e ao mergulhar fundo nas pesquisas para a construção da obra despertou curiosidade sobre os acontecimentos, os movimentos e os atores políticos da época que teriam motivado o então mandatário do Estado Godofredo Viana a assinar a certidão do nascimento político/administrativo da hoje, oficialmente, segunda capital do Estado.

Os levantamentos do pesquisador já deram lugar uma palestra e o assunto foi tema da reabertura do ano acadêmico da Academia Imperatrizense de Letras, logo depois do Carnaval. Ao lançar luzes sobre o tema Ribamar Silva levantou uma polêmica ao intuir que diferente do que ocorrera em outros municípios maranhenses a emancipação não decorreu de nenhuma luta ou bandeira levantada pela incipiente Imperatriz do final do primeiro quartel do século XX.  Não foi encontrado por ele nenhum documento, publicação ou texto que indique algum movimento prévio, ou comemoração para recepcionar a boa nova. Para ele, a cidade teria recebido a notícia com apatia.

Com a citada descoberta, Ribamar abre espaço para futuras pesquisas sobre o período que antecedeu o ato que culminou com a emancipação política da cidade. A decisão do governador Godofredo Viana teria sido mera obra do acaso? Ou teria decorrido de alguma luta dos políticos e a elite econômica da então povoação daqueles ido.  Espaço aberto para  a quem interessar possa, buscar subsídios para contrariar as pesquisas do pesquisador Ribamar Silva ou apresentar, documentalmente, provas de algum movimento emancipacionista da época capaz de ter sensibilizado o então presidente do Estado do Maranhão, como era denominada a figura do governador, que na mesma ocasião emancipou num bolo só as vilas de  Carutapera,  São Francisco, Icatu,  e São Miguel.

Sobre a fundação de Imperatriz há muita literatura nos diversos formatos, mas nada sobre a emancipação.  Por enquanto não se deparou com nada nos arquivos históricos.

No livro O Sertão ,  subsídios para a história e geografia do Brasil, da escritora maranhense, Carlota Carvalho, publicado em 1924, ela cita alguns nomes que compunha a elite econômica e  política  da cidade daqueles tempos, tais como Honório Fernandes Primo,  Antônio Chaves,  Coriolano de Sousa Milhomem, Félix Alberto Maranhão,  Emiliano Herênio Alvares Pereira;  José Lopes Teixeira,  Doroteu Alves dos  Santos, e Manoel Herênio Alvares Pereira, mas não faz qualquer referência a algum movimento emancipacionista levada a efeito por eles.

Ela ainda escreve “ninguém, porém, há procurado desenvolver a instrução, aumentar os conhecimentos humanos e elevar a altura e moral do povo”. É dessa forma que Carlota Carvalho define comportalmente a elite da cidade do período da emancipação da cidade. Tema desconhecido ou, por causas ainda desconhecidas fora propositalmente esquecido por ela?

 

                                                     Cópia da Lei que emancipou Imperatriz

 

 

 

1/20/2024

O FIM DO PODER

 



ElsonMAraujo

 Sempre gostei de revisitar leituras. Tenho o hábito de me apegar principalmente àquelas que desafiam a compreensão e despertam o pensamento crítico. Revejo todas as marcações, numa espécie de renovação do diálogo com o autor e seu pensamento. No início desta semana, assim meio que por acaso, reencontrei O Fim do Poder, livro elogiadíssimo de Moisés Naím, ex-ministro do Desenvolvimento da Venezuela, entre o final da década de 1980 e início dos anos 1990 e que na época do lançamento, não sei se ainda continua, era diretor executivo do Banco Mundial.

 Deparei-me com o Fim do Poder enquanto limpava uma gaveta. Olhei para ele, ele olhou para mim, e não demorou muito engatamos uma nova conversa. 

 Mirei nas marcações deixadas no curso do nosso primeiro encontro. Mesmo sendo de 2015, o livro é um relato daquilo que continua a ocorrer com as estruturas de poder, que na avaliação do autor, passam por um processo de degradação que está mudando o mundo.  Além, diz ele, de passar por um processo de mutação muito mais fundamental e que ainda não foi suficientemente reconhecida e compreendida.

 Ao prosseguir com o passeio pelas minhas marcações reli:  

Um exército grande e moderno não garante mais por si só que um país irá alcançar suas metas estratégicas. 

Nesta marcação lembrei imediatamente da invasão da Ucrânia pela Rússia, ocorrida na última quinta-feira, 24 de fevereiro, e da luta diplomática da Otan- Organização do Tratado do Atlântico Norte- para conter os ímpetos do Putin, e evitar mais uma guerra do conflagrado continente europeu. 

 Acredita-se que sedento de poder Putin ambicione, com o apoio da China, reeditar a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas –URSS- Lá atrás, lembre-se, ele já anexou a Criméia. 

 Com o fim da URSS houve uma fragmentação do poder russo e a diminuição da sua influência no mundo. Com isso, os Estados Unidos e outras nações assumiram essa vanguarda. Putin, na avaliação dos especialistas em política internacional, estaria tentando reassumir a posição global perdida, e que a invasão da Ucrânia seria apenas o início de uma ambição maior. 

 O livro de Moisés Naím é instigante porque o autor conduz o leitor a refletir sobre as formas como o poder é manejado no mundo corporativo, pelas lideranças religiosas e pelos líderes das nações, como Putin, o exemplo da vez; além de refletir sobre o risco dos excessos e da sua fragmentação, com o surgimento do que ele chama de micropoderes. 

 Neste 2022, que se abre para uma guerra de possíveis consequências globais, O Fim de Poder é uma leitura importante para que se compreenda um pouco do que acontece hoje com a alma do poder. A iniciada guerra da Rússia contra a Ucrânia é o que me sobreveio com essa nova conversa com o livro do Naím, mas também a obra remete a uma reflexão em torno de outras estruturas de poder, fora do eixo das nações.

 O poder está passando daqueles que têm mais força bruta para os que têm mais conhecimentos, dos países do Norte para os do Sul e do ocidente para o oriente, dos velhos gigantes corporativos para as empresas mais jovens e ágeis, dos ditadores aferrados ao poder para o povo que protesta nas praças e nas ruas, dos homens para as mulheres, dos mais velhos para os mais jovens. (M.N) 

 Mais do que exercer o poder, a sensação que ele oferece é a explicação mais plausível para que homens e corporações se joguem em lutas fraticidas para conquistá-lo. Junte-se a isso, o medo de perdê-lo.  Talvez esteja aí uma das explicações de foro íntimo para que Vladimir Putin tenha, a princípio, articulado sua permanência no comando da Rússia por tempo indeterminado, e agora parta para anexar as nações que se desprenderam da “mamãe Rússia” com o fim da chamada “guerra fria”.  

 Moisés Naím não disseca só o poder no ambiente da geopolítica. Ele também cai para o campo das religiões onde acentua que de modo semelhante o arraigado, e histórico, poder das grandes religiões organizadas tem declinado num ritmo incrível. Cita, por exemplo, o avanço dos pentecostais, algo que é visível principalmente, nas palavras do autor, nos países que já foram fortaleza do vaticano. 

 Outra marcação voltou a chamar minha atenção.  Uma que dizia que nos últimos trinta anos as barreiras que protegem o poder foram se enfraquecendo num ritmo muito rápido sendo mais fácil vencê-las, passar por cima delas ou driblá-las” 

 *“O poder não é mais o que era antes, não é mais privilégio de poucos” (M.N)*

 Espaço pequeno para falar sobre o inteiro teor de O Fim do Poder, leitura gostosa, sobre um tema complexo, mas que autor consegue deixá-lo perfeitamente palatável e compreensível.   

 Fico por aqui, mas deixo o pensamento de um   autor que também se debruçou muito sobre o estudo do poder: Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, conhecido como Montesquieu, que na sua imortal obra o Espirito das Leis, escrita no século XVIII, escreveu que todos que detêm o poder tendem a abusar dele, e que só o poder detém o poder, numa alusão aos limites que a este deve ser imposto. Atual, não é?

 

*IMPERATRIZ 200 MIL ELEITORES* Faltam pouco mais de nove mil votos para atingir meta, garante juiz eleitoral_


"Dá para chegar", declarou o juíz eleitoral Delvan Tavares Oliveira,  numa entrevista de capa na edição desta quinta-feira, 18, ao *Jornal O Progresso*  ao destacar o empenho da *Justiça Eleitoral* para que Imperatriz passe a figurar no seleto grupo dos municípios brasileiros com mais de 200 mil eleitores, e consequentemente segundo turno.

 De acordo com a legislação brasileira para ter direito a votar na escolha do prefeito em dois turnos, os municípios precisam alcançar 200 mil eleitores.  Segundo Delvan Tavares  faltam pouco mais de 9 mil votos para a meta ser atingida, daí o otimismo dele.

 *O prazo final para fazer o título eleitoral é 8 de maio*.  Até lá,  garante o magistrado, para atingir os 200 mil eleitores, a *Justiça Eleitoral*  vai continuar o trabalho de convencimento do eleitor e chegar a todas as comunidades do município.

 A escolha do candidato a prefeito,  governador e presidente em dois turnos é considerada a mais democrática de todas. Nesse modelo,  para garantir a eleição em primeiro turno,  o candidato ou candidata precisa obter mais de 50% dos votos válidos. Caso contrário, a eleição terá um segundo turno, com os dois mais bem votados no primeiro turno,  na disputa. (ElsonMAraujo)

11/11/2023

A FORÇA HISTÓRICA DO SERTÃO MARANHENSE


ElsonMAraujo

Como membro da Academia Imperatrizense de Letras (AIL), onde ocupo a Cadeira 02,  fundada pelo advogado, jornalista, político , escritor e historiador, Salvio Dino, e que tem como patrono Parsondas de Carvalho, tenho tido a deliciosa oportunidade, uma vez ou outra, de me deparar com questões históricas, há muito esquecidas, sobre a formação  cultural e populacional do sertão maranhense, a partir  dos “Pastos Bons” , a povoação que dera a origem à grande maioria dos municípios que forma hoje o que passamos a chamar de região tocantina maranhense, no Sudoeste do Maranhão.

A curiosidade tem me empurrado para os caminhos da história. A procurar obras esquecidas, e até desconhecidas, a conversar com os confrades sobre temas diversos a respeito de como se procedeu a formação desse conglomerado de cidades e gentes de todas a regiões do Brasil e do mundo, onde hoje habitamos e que reúne, se não tiver ultrapassado, cerca de um milhão de habitantes.

Do conjunto do que li, até agora, já é possível afirmar que, a quem interessar possa, nossa história rende dezenas, ou centenas de roteiros para séries, minisséries, e cinema propriamente dito. Estamos numa região gestada com   sangue, suor, e tonéis de lágrimas e personagens épicos.

A AIL tem o privilégio de abrigar entre seus membros quem sempre se preocupou em resgatar os fatos importantes ocorridos nessa banda do Maranhão; principalmente aqueles ocorridos no final do século XVIII e da inteireza do século XIX. Seja no modelo de romance, como bem tem feito o advogado e escritor Agostinho Noleto, no formato de pesquisas acadêmicas (teses e dissertações) como fazia muito bem o já falecido professor João Renôr Ferreira de Carvalho, ou por pura vocação histórica, como tem feito ao longo da vida o incansável Edmilson Sanches, o pesquisador literário e poeta Ribamar Silva, o acadêmico Domingos Cezar, o polemista histórico Sálvio Dino e o saudoso Adalberto Franklim.  Expoentes da pesquisa histórica da AIL que merecem reconhecimento.

Adalberto Franklim é um capítulo à parte. Como editor, um dos maiores do Maranhão, e com uma queda pela história, tanto que se tornou membro, assim como o confrade Sanches, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, e diante da sua Ética Editora, resgatou e publicou elos perdidos (esquecidos) da história da região, do Maranhão e do Brasil.  Foi assim, que há 17 anos, junto com confrade João Renôr Ferreira de Carvalho, trouxe a lume um dos mais importantes documentos históricos publicados no País, na primeira metade do século XX:  o livro O Sertão, subsídios para a história e a geografia do Brasil, da escritora sertaneja Carlota Carvalho.

O livro, uma obra ambiciosa lançada no Rio de Janeiro, em 1924, pela Empresa Editora de Obras Cientificas e Literárias, que alcançou repercussão nacional. Um apurado trabalho de pesquisa histórica/geográfica com citações de fontes, que passam pelos principais fatos da história do Brasil com ênfase a episódios que marcaram a história do Maranhão.  Um trabalho de fôlego onde a autora não se limita à simples narrativa histórica, mas, faz questão de retratar seu olhar crítico sobre fatos e personagens muitas vezes romantizados pela história convencional.

Percebe-se na leitura de O Sertão, uma escritora destemida, detalhista e extremante culta, que bebia nos grandes clássicos da literatura mundial e que manuseava com maestria as palavras. Talvez por isso, por puro preconceito, tenha surgido a “tese” de que não teria sido dela, mas sim do irmão, Parsondas de Carvalho, a verdadeira autoria da obra. Tese polêmica defendida por Salvio Dino, que lhe rendeu vários artigos, palestras e até um livro. Confesso que cheguei a me filiar nessa corrente por ter ouvido, até então só um lado.  Depois da atenta leitura de O Sertão, meu entendimento mudou. Acredito até que o irmão de Carlota, por ser um homem das letras, por ter conhecido cada palmo, cada canto, cada nascente, cada córrego, rios e riachos, morros e serras do sertão maranhense, e por, na sua época, ser uma pessoa muito influente na província, em algum momento tenha contribuído para a construção do manuscrito, mas pelo menos para mim, até provas em contrário, a obra é mesmo de Carlota Carvalho.

Pela importância de o Sertão para a história do Brasil e do Maranhão, bem como do sertão maranhense, garanto que um ano seria insuficiente para dissecar a obra. São muitas informações, pedaços soltos da nossa história que merecem uma melhor investigação acadêmica. De tão importante, a obra já virou até tese de doutorado, na Unisinos (RS), da lavra da professora doutora Regina Célia, hoje do corpo diretivo da Universidade Estadual da Região Tocantina Maranhense (UEMASUL).


Atraída pela obra de Carlota, Regina  Célia defendeu a tese  intitulada  Por caminhos de terra e de tinta: a trajetória de Carlota Carvalho, uma escritora nos sertões maranhenses (séculos XIX e XX), que teve como objetivo investigar a trajetória da professora e escritora Carlota Carvalho, buscando compreender os elementos que constituíram sua formação intelectual, bem como o significado que sua obra “O Sertão” teve para a historiografia do Brasil e, em especial, para aquela que se debruçou sobre o sul maranhense.

Sobre Carlota, Regina Célia escreve que ela foi uma professora normalista, nascida em meados do século XIX nos anos finais do império no sertão maranhense a partir dos primeiros anos da República. Além de escrever o Sertão, ela teria escrito vários artigos sobre temas atinentes ao homem e à mulher sertanejos.

O Sertão, de Carlota Carvalho, além de uma deliciosa e construtiva leitura é um grato convite para a geração de hoje conhecer melhor o torrão onde pisamos. Um verdadeiro um tesouro com um pé na ciência e outro na literatura.

Do livro (risos) só não gosto de uma parte dedicada à então incipiente Imperatriz.

“Falando da Vila Imperatriz em particular, diremos que bom só tem o homem que a habita”.

Não tem uma biblioteca, não tem um grêmio em que possa haver uma conversa que não seja maledicência; não tem um jornal”, relata ela sobre a Imperatriz do início dos anos 1920.

Mulher das letras, hoje ela ficaria feliz de encontrar uma cidade, ainda com muitos problemas, mas que tem uma Academia de Letras, que não deixa de ser um grêmio literário, tem um jornal diário, há 53 anos e que a cidade se consolidou como polo educacional, comercial e industrial.

Ela ficaria feliz, sim!

 

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