11/19/2016

“Síndrome do Cabra Macho”


Há muito tempo que se percebe, tanto aqui quanto lá fora, a carência de líderes num sentido extensivo. Conta-se nos dedos hoje no mundo quem consiga  transcender o significado da palavra (guia, chefe, aquele que tem a autoridade para comandar ou coordenar outros) e encarne a figura de um verdadeiro  líder. O mundo sofre de “carência múltipla” de líderes, contudo,  a história revela que esse é um mal que não é novo.

E de fato, não é de hoje que os povos da Terra se ressentem da falta de quem ultrapasse o mero conceito etimológico palavra líder. O historiador, diplomata, filósofo e politico italiano da época do Renascimento, Nicolau Maquiavel  ao observar a sociedade e os conflitos daquele tempo  dizia que o “povo conspira para quem o protege”. Tal premissa, mesmo não sendo absoluta,  guarda  uma grande verdade: as pessoas  tendem a  apoiar, seguir,  admirar e a  amar a quem julgam  capaz  de protegê-las, mesmo  que seja uma aparente  proteção e se transforme depois numa decepção. 

Quando se fala em liderança Imagina-se logo que uma das missões do verdadeiro líder, além da fidelidade ao significado literal da palavra seja, de  estimular, motivar, alimentar, proteger e  manter vivos os sonhos de quem lideram. Não se trata de um rol taxativo, portanto, a arte de liderar não se estancaria nestes predicados ou em apenas comandar  pessoas, uma cidade, um estado, ou uma nação;  é entre outras coisas, fazer valer a pena a liderança exercida.

Os estudiosos do comportamento humano talvez possam explicar melhor o porquê do ser humano viver sempre em busca de proteção.  Possa ser que tal sentimento seja verificado com mais ou menos intensidade em alguns, mas o  fato é  que essa necessidade (proteção) é encontrada tanto na sua variável individual,  quanto  na  coletiva,  o que faria surgir  um fenômeno  social   que chamaria de “síndrome do cabra macho”, ou na versão feminina de “síndrome da dama de ferro” que pode ser definida como a necessidade/inata inconsciente de uma pessoa,  ou de um povo de se sentir protegido.

Tal síndrome, ao atrair o assunto para a questão política eleitoral, talvez explique o sucesso de figuras públicas de verbo fácil, com doses de coragem e um pouco de carisma, que acabam por alçar posições importantes de comando  principalmente em “tempos de crise”. Aqui no Brasil, Getúlio Vargas se encarnaria nesse estereótipo.  Ao liderar, como civil, a revolução de 1930 que pôs a termo a República Velha. Vargas ajudou a tirar o poder o então presidente Washington Luís e impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes. Acabou sendo presidente do Brasil em dois períodos o primeiro, por 15 anos ininterruptos.  

Nos dias de hoje o ex-presidente Lula também se aproveitou dessa “síndrome docabra macho” e assim como Vargas, com as devidas e notórias observações, ao  adequar o discurso ao sentimento  que na ocasião ocupava a mente da maioria do eleitor brasileiro, administrou o País por dois mandatos e ainda elegeu como sucessor quem ele quis.

Sem querer ir mais fundo na questão a “síndrome do cabra macho ou da  dama de ferro”, não resta dúvida,  que  fica mais evidente  durantes as crises, ou seja, quando a população  sente que  o poder estabelecido em parte ou no todo,  não consegue mais responder aos anseios mais elementares da sociedade.  Quando isso acontece surge um campo fértil para o “florescimento do  verbo fácil, das frases feitas e de efeito;  da coragem, do carisma”, muitas das  vezes ensaiados ou dirigidos por especialistas em marketing e que uma vez encarnado  é capaz de seduzir milhões de pessoas, como que  acabou de acontecer na  nação mais poderosa do mundo, os Estados Unidos, cujo presidente eleito também , pelo visto, foi  beneficiado pela  síndrome do cabra macho.

Por fim diria que liderar é fazer o, ou os outros, acreditarem que são capazes e que é possível mudar o mundo para melhor; tarefa para os  verdadeiro líderes.