4/17/2013

Vereador critica postura de movimento grevista:Manifestantes impedem líder do governo de apresentar proposta na Câmara Municipal



        
Por Kayla Pacheco

Participantes do movimento grevista dos servidores da educação e saúde Municipal de Imperatriz tumultuaram a sessão da Câmara de Vereadores da manhã de ontem, 16. Os manifestantes não permitiram que o líder do governo na Câmara, o vereador José Carlos Soares (PTB) informasse os fundamentos da proposta de aumento salarial apresentada ao Sindicato pela Prefeitura.

“Estou aqui em nome do governo. E como líder do governo na Câmara gostaria de afirmar que essa casa de leis tem 21 vereadores, e que a democracia resguarda a igualdade de direitos, então devemos ouvir não apenas os quatro vereadores de oposição, mas também conhecer a postura do governo. Devemos saber falar, mas também saber ouvir”, reagiu o vereador diante da impossibilidade de fazer uso da palavra.

Apesar das indicações em votação pelo plenário, na ocasião, não terem ligação com a proposta de aumento salarial enviada pela Prefeitura na semana passada, o grupo de servidores interrompeu o pronunciamento vereador Zé Carlos, para quem a atitude do movimento representa uma atitude de desrespeito ao parlamento municipal.

Em resposta ao pronunciamento dos vereadores de oposição que defendem a continuidade da greve mesmo que o projeto de lei do executivo que garante aumento de 6% mais incentivos seja aprovado pelos vereadores, Zé Carlos tentou responder aos professores em nome da gestão municipal. Porém num gesto de desrespeito e afronta, as pessoas que ocupavam a galeria viraram as costas para o plenário Leo Franklin causando balbúrdia pelo barulho provocado.

Da tribuna Freitas Filho, Zé Carlos lamentou a postura ali presenciada e observou que após falar e fazer suas reivindicações o movimento deveria saber ouvir.

Sobre a questão salarial ali discutida, Zé Carlos desafiou o vereador Aurélio Gomes (PT) a doarem juntos os seus salários de vereadores a instituições de caridade uma vez que o parlamentar oposicionista considerou em sua fala, desnecessários os proventos por eles (vereadores) recebidos. 

“Convido o nobre colega Aurélio a doarmos juntos nossos salários de vereadores a instituições filantrópicas já que o mesmo questionou o aumento por ele recebido”. O que deixou o vereador petista sem palavras.

Em relação ao aumento dos servidores da educação, Zé Carlos afirmou que vai levar a discussão de um percentual maior ao executivo, e fez um apelo para que as negociações ocorram pacificamente. “Vamos lutar por um salário melhor em respeito aos professores que continuam em sala trabalhando sem prejudicar seus alunos. Pois enquanto a maioria dos servidores aguarda o andamento das discussões, parte do movimento não quer debate nem negociação, quando não dão direito ao diálogo amistoso que deveria ser”.

Ao final da sessão, líderes do movimento ameaçaram interromper a votação do projeto de lei que aumenta os salários e incentivos da gestão municipal aos servidores da educação e saúde, para impedir a sua aprovação pelos vereadores. “Se os vereadores aprovarem esse aumento proposto pela Prefeitura vamos quebrar a sessão”, afirmou o líder do movimento.

Aumento proposto pela Prefeitura é maior do que o do sindicato
         

      Na manhã de ontem, o Ouvidor-Geral do Município, Joel Costa, explicou em entrevista à imprensa que, no conjunto, a proposta da Prefeitura é maior que a o do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (STEEI).

         Além dos 6% de aumento salarial, valor estipulado acima da inflação, o executivo municipal propõe um bônus de R$ 12,00 (doze reais) por hora/aula trabalhada que ultrapasse a carga horária do professor.

 “Na prática, um professor que já ministrava 20 horas/aula com salário-base de R$ 1.054,77, se optar, poderá receber esse valor extra pelas horas que lecionar além da carga horária mínima, onde o pagamento das horas acumuladas fica em torno de R$ 300,00 a mais no salário”, explica.

Essa questão, segundo o ouvidor, não é considerada nos debates e entrevistas pelo movimento grevista, que também se esquece de informar que há uma lei municipal que concede ao professor aumento automático de 2% no valor do salário na data do seu aniversário.

Outro beneficio citado por Joel Costa é o pagamento do vale-alimentação no valor de R$ 180,00, que também receberá aumento. Incentivo esse que inúmeros municípios da região não garantem aos seus servidores. 

“Nas nossas contas, todas essas vantagens somadas ultrapassam a casa dos 20%. E isso os pais dos alunos e a população precisam tomar conhecimento. A Prefeitura garante aos professores 30% a mais do valor salário pago pela iniciativa privada”.
        
Joel Costa defende ainda o poder do diálogo e do bom senso nas negociações, e que os servidores não tomem medidas radicais, “que professores retornem às salas de aula e que o Sindicato não permita que o movimento ganhe um viés político-partidário”.