5/01/2026
A linha tênue entre a pré-campanha e a propaganda eleitoral irregular
3/06/2026
TSE aprova novas regras para propaganda eleitoral com foco no combate às fake news e uso da inteligência artificial
ElsonMAraujo
*Resolução 23.755, de relatoria do ministro Nunes Marques, estabelece normas inéditas para regulamentar o uso de IA nas campanhas e amplia mecanismos de proteção ao processo democrático nas eleições de 2026*
A nova resolução é fruto de um
amplo processo de discussão que envolveu audiência pública, contribuições dos
Tribunais Regionais Eleitorais e sugestões da sociedade civil por meio do
Sistema de Sugestões de Resoluções Eleitorais (SRE). Ao todo, foram 326
contribuições específicas sobre propaganda eleitoral, o segundo maior volume
entre todos os temas regulamentados para o pleito deste ano.
Inteligência artificial sob
regras claras-Um dos pontos mais inovadores da resolução é a
regulamentação detalhada do uso de inteligência artificial nas campanhas. Pela
primeira vez, a Justiça Eleitoral estabelece normas específicas para conteúdos
sintéticos, aqueles gerados ou modificados por IA.
O texto determina que qualquer
propaganda eleitoral que utilize conteúdo sintético multimídia, para criar,
substituir, omitir ou alterar imagens ou sons deverá trazer informação
explícita, destacada e acessível sobre a fabricação ou manipulação, incluindo a
tecnologia utilizada.
Mais rigoroso ainda é o
período de vedação estabelecido pelo § 3º-A do art. 9º-B: fica proibida a publicação ou
republicação de novos conteúdos sintéticos produzidos por IA que utilizem
imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas nas 72 horas que
antecedem o pleito e nas 24 horas que o sucedem. A medida visa evitar
"surpresas indesejadas" no momento mais crítico do processo
eleitoral, como explicou o relator em seu voto.
Os provedores de aplicação que
ofertarem serviços de impulsionamento de conteúdo político-eleitoral deverão
viabilizar campo específico para declaração do uso de IA. Mais
do que isso: ficam proibidos de ranquear, recomendar ou sugerir candidaturas,
emitir opiniões ou indicar preferência eleitoral por meio de sistemas
automatizados, ainda que solicitado pelo usuário.
O descumprimento das regras
sobre IA impõe a imediata remoção do conteúdo ou a indisponibilização do
serviço de comunicação, por iniciativa do próprio provedor ou por determinação
judicial. Em caso de reincidência ou disseminação de conteúdos já considerados
ilícitos pela Justiça Eleitoral, as plataformas poderão ser responsabilizadas
solidariamente.
Outra
novidade importante é a previsão de inversão do ônus da prova nas
representações que versem sobre uso de conteúdo sintético. Quando houver
dificuldade técnica de comprovação da manipulação digital, caberá ao
representado demonstrar a licitude do conteúdo e como a IA foi empregada.
O combate à desinformação
ganhou um poderoso instrumento com o art. 38-A, que determina a remoção de
perfis comprovadamente falsos, apócrifos ou automatizados (robôs) quando suas
publicações configurarem prática reiterada de crime eleitoral ou divulgação de
fatos notoriamente inverídicos que possam atingir a integridade do processo
eleitoral.
A medida é uma resposta direta
à atuação de contas inautênticas que historicamente poluem o debate público e
disseminam desinformação em larga escala durante os períodos eleitorais.
O texto estabelece mecanismos
de controle e compensação: caso os percentuais destinados a essas candidaturas
não sejam atingidos em um ciclo semanal, o tempo faltante deverá ser compensado
nas semanas seguintes, assegurando a proporcionalidade até o fim da campanha.
A ministra Cármen Lúcia,
presidente do TSE, tem sido enfática em sua gestão no combate à misoginia
política, e a nova norma reflete essa prioridade: "Misoginia, digital ou
não, jamais será tolerada nesta Justiça Especializada", registrou o
relator em seu voto.
Apesar do rigor no ambiente
digital, a resolução buscou preservar e até ampliar a liberdade de manifestação
no "mundo real", como definiu o ministro Nunes Marques. O novo § 4º-A
do art. 19 permite expressamente a entrega de material de campanha em espaços
públicos abertos de convivência – vias públicas, praças, feiras livres, parques
e logradouros – desde que não comprometa a livre circulação de pessoas.
No período de pré-campanha,
ficou autorizada a manifestação espontânea em ambientes universitários,
escolares, comunitários ou de movimentos sociais, conforme definido pela ADPF
nº 548, de relatoria da ministra Cármen Lúcia.
"É importante que a
Justiça Eleitoral renove seu compromisso com a liberdade dos atos de propaganda
praticados no 'mundo real', porquanto imunes aos algoritmos e às manipulações
comuns ao universo virtual", destacou o relator em seu voto.
O ministro Nunes Marques fez
questão de pontuar, em seu voto, que as alterações "não constituem a
criação de um pacote de medidas voltadas a ameaçar e punir os atores do
processo eleitoral", mas sim "permitir o florescimento do debate
eleitoral, dando ênfase à liberdade de comunicação daqueles que vão disputar a
eleição e garantindo a livre manifestação do eleitorado, figura central de
nossa democracia".
Com as novas regras, o Brasil
se posiciona na vanguarda mundial da regulação eleitoral para a era da
inteligência artificial, estabelecendo parâmetros que equilibram inovação
tecnológica e proteção do processo democrático. Resta agora acompanhar sua
aplicação prática nas eleições que se aproximam, num dos pleitos mais
desafiadores da história recente do país.
1/05/2026
Brasil em 2026: entre a tempestade geopolítica e a encruzilhada eleitoral
O Brasil desperta neste início de 2026 sob a sombra alongada de um fato que reordena o poder nas Américas: a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos em território venezuelano. Não se trata apenas de um episódio regional. Trata-se de um divisor simbólico na forma como a força voltou a se impor sobre o Direito Internacional — e o Brasil, queira ou não, encontra-se no epicentro desse abalo.
Enquanto o governo Lula busca uma linha diplomática de equilíbrio na mais grave crise continental das últimas décadas, o país é simultaneamente projetado para o centro de um ano eleitoral marcado por polarização extrema. Instabilidade externa e fervor interno se combinam, testando como raras vezes a maturidade institucional, a estratégia internacional e a resiliência econômica brasileira.
Diplomacia no fio da navalha: soberania versus realpolitik
A postura brasileira diante da intervenção em Caracas exige precisão cirúrgica. No Conselho de Segurança da ONU, o Itamaraty reafirma princípios históricos: soberania nacional, não intervenção e solução pacífica de controvérsias. Condena-se o método — sem absolver o regime deposto. É uma posição coerente com a tradição diplomática brasileira, mas politicamente custosa.
No plano doméstico, a oposição explora a crise como ativo narrativo. Ressuscita-se o argumento de que a relação histórica do presidente Lula com Caracas teria colocado o Brasil em um campo diplomático vulnerável. O debate ultrapassa a política externa e toca um nervo sensível: a segurança nacional. Diante de uma operação militar rápida e cirúrgica na vizinhança, qual é, afinal, a real capacidade dissuasória do Brasil? A pergunta ecoa nos quartéis, nos editoriais e nos bastidores do Congresso.
Um ano eleitoral sob a sombra do mundo
O calendário político já está em marcha, e a crise venezuelana funciona como catalisador de discursos. O governo tenta ancorar sua narrativa em estabilidade econômica e agenda social: salário mínimo acima da inflação, programas como Pé-de-Meia e Gás do Povo, além de vitórias simbólicas no campo trabalhista, como o fim da escala 6x1 em setores estratégicos.
A oposição, por sua vez, aposta na retórica da insegurança. Soberania, fronteiras, alinhamentos internacionais e “fragilidade geopolítica” tornam-se palavras-chave. Busca-se colar o governo à imagem de uma esquerda regional em colapso. A polarização, longe de arrefecer, é alimentada pelo caos além-fronteiras.
Economia: cautela, nervosismo e sinais de fôlego interno
Os mercados reagem com sobriedade tensa. O dólar opera em patamar elevado, em torno de R$ 5,43, enquanto o Ibovespa oscila próximo aos 160 mil pontos. O receio é claro: contágio geopolítico sobre economias emergentes. Ainda assim, o quadro não é homogêneo.
A construção civil desponta como um dos vetores de crescimento em 2026, impulsionada por programas habitacionais e a retomada de obras públicas. É o retrato de uma aposta doméstica no crescimento como antídoto à instabilidade externa.
No plano global, eventos como a CES 2026 reacendem o debate sobre a economia do futuro: inteligência artificial, retorno real sobre investimentos em tecnologia e o possível estouro de bolhas especulativas. Esses fatores influenciarão diretamente o fluxo de capital de risco para startups brasileiras.
No campo energético, o Brasil ganha centralidade estratégica. Com a produção venezuelana em colapso, o país emerge como alternativa relevante no fornecimento de energia, especialmente para a China, seu principal parceiro comercial. Novas alianças, investimentos e pressões geopolíticas se avizinham.
O teste de 2026
O Brasil inicia seu ano decisivo navegando em águas agitadas. Três frentes definirão o sucesso ou o fracasso dessa travessia:
-
Diplomática, ao sustentar uma posição soberana e principista sem isolamento automático em um mundo fragmentado.
-
Política, ao conduzir uma eleição acirrada sem permitir que a agenda doméstica seja sequestrada por uma crise externa.
-
Econômica, ao provar que o mercado interno e políticas sociais podem amortecer choques globais.
Enquanto isso, as chuvas intensas no Rio de Janeiro e no Sul lembram que a emergência climática é um desafio permanente. Em contraste, o reconhecimento internacional do cinema brasileiro projeta um raro momento de soft power positivo.
2026 será o ano em que o Brasil precisará provar se suas instituições, sua economia e seu projeto de sociedade são suficientemente robustos para enfrentar, ao mesmo tempo, uma tempestade geopolítica e suas próprias divisões internas. O caminho escolhido agora definirá sua posição no mundo na próxima década.
12/29/2025
O voto cidadão: quando a democracia começa na consciência
Em períodos eleitorais, é comum que o debate político se concentre em candidatos, campanhas, promessas e embates ideológicos. Mas há um elemento essencial que, muitas vezes, fica em segundo plano: o papel do eleitor como protagonista da democracia.
O voto não é um simples gesto mecânico repetido a cada quatro anos. Ele é, antes de tudo, um ato jurídico, político e moral, carregado de consequências coletivas. Cada escolha feita diante da urna repercute na condução do Estado, na formulação de políticas públicas e na própria qualidade das instituições democráticas.
A legislação eleitoral brasileira é clara ao impor limites à propaganda, ao uso do dinheiro, à atuação de agentes públicos e à comunicação política. Esses limites não existem para restringir a liberdade, mas para preservar a igualdade de condições e a legitimidade do processo eleitoral.
Da mesma forma, o voto consciente funciona como um mecanismo de equilíbrio:
– combate abusos,
– enfraquece práticas ilícitas,
– e fortalece candidaturas comprometidas com a legalidade e o interesse público.
Quando o eleitor se informa, questiona, compara e reflete, ele exerce uma fiscalização tão importante quanto a realizada pelos órgãos de controle.
A democracia moderna não se resume ao dia da votação. Ela se constrói:
na observação crítica das campanhas,
na rejeição ao abuso do poder econômico,
na denúncia de práticas ilegais,
e na recusa a discursos que atentem contra a Constituição e o Estado de Direito.
Nesse contexto, o eleitor deixa de ser espectador e passa a ser guardião do processo democrático.
Votar bem exige acesso à informação de qualidade. Conhecer as regras do jogo eleitoral, os limites legais, os direitos e deveres de candidatos e eleitores é um passo decisivo para escolhas mais responsáveis.
É exatamente por isso que a educação política e jurídica deve ser estimulada — não como instrumento de doutrinação, mas como ferramenta de emancipação cidadã.
O voto cidadão é aquele que nasce da consciência, da legalidade e do compromisso com o futuro coletivo. Em tempos de excessos, desinformação e discursos fáceis, votar com responsabilidade é um ato de coragem democrática.
Fortalecer a democracia começa com escolhas individuais bem fundamentadas. E toda sociedade que compreende isso caminha, inevitavelmente, para instituições mais sólidas e mais justas.
Democracia não é apenas um direito: é uma responsabilidade compartilhada e que deve ser fortalecida por meio do voto consciente em eleições limpas.
Há todo um regramento legal, a começar pela CF 1988, leis infraconstitucionais e resoluções que disciplinam o processo eleitoral brasileiro. Sobre o assunto, criei o e-book Direito Eleitoral na Prática, para quem quer atuar com segurança real., seja advogado, assessores políticos, jornalistas, e até mesmo quem quer entrar na disputa política.
“Depois de estudar e atuar no Direito Eleitoral, percebi uma falha enorme: falta material prático.
Esse e-book não é teoria.
É guia de campo para advogado eleitoral.”
“O e-book Direito Eleitoral na Prática já está disponível.
Material organizado, modelos comentados e visão estratégica.
O link está aqui. Comece hoje.”
https://chk.eduzz.com/39VEG555WR
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