3/08/2015

O dia é delas, todo delas.



“Mulher na vida, mulher da vida, mulher de vida, mulher da lida,
Bendita sejas tu, ó criatura divina, que do  fel extrai o mel que adoça a  vida das vidas que te cercam


A luta das mulheres por igualdade, respeito e contra a discriminação é milenar. Ao longo dos séculos muitas perderam a vida para que algumas conquistas estejam atualmente  presentes no mundo ocidental sendo comemoradas.

Acompanha-se todos os dias as lutas por direitos das mulheres, daqui desse lado do Planeta, e até no fechado oriente médio.  Quem ainda não ouviu a história da estudante paquistanesa Malala Yousafzai conhecida e reconhecida internacionalmente como ativista pelos direitos à educação e o direito das mulheres?   Na última terça-feira, numa audiência pública  realizada pela Câmara Municipal  de Imperatriz para comemorar a Semana da Mulher  a trajetória de Malala, bem  como de outras bravas como  Joana D’arc e  Anita Garibaldi  foi lembrada por uma das homenageadas, a médica e secretaria de saúde do município Conceição Madeira.



Da fala de Conceição a conclusão de que a luta por igualdade de gênero, mercado de trabalho, espaço político, respeito, e contra a discriminação, não é nova; tem sido intermitente,  e pelo menos numa banda do Planeta o resultado dessas tem redundando em inúmeras  conquistas.

De fato, as mulheres atualmente  ocupam postos máximos de comando politico e corporativo.  Ângela Merkel,  Michele Bachelet e Dilma,  uma na Europa e as outras na América do Sul se elegeram,  pela segunda vez respectivamente  para os comandos da Alemanha e do Chile e do Brasil. 


Em se tratando de Brasil esses direitos conquistados acabaram positivados na Constituição e nas leis infraconstitucionais.  Também já tivemos uma mulher no comando do Supremo Tribunal Federal (STF) a mais alta corte da justiça pátria. Ainda falta uma mulher na presidência da Câmara ou do Senado, mas é só uma questão de tempo.  O Judiciário do  Maranhão tem mulheres uma mulher  comando. No âmbito municipal o que não faltam são elas em postos gerenciais, sendo ainda o município pioneiro na Criação de uma Secretaria de Políticas Públicas para mulheres. Exemplos não faltam aqui na cidade, no Estado  e no  mundo afora.

Não é à toa, portanto, que por toda essa trajetória de luta, e por vezes  de sofrimento,  as mulheres,  entre as muitas datas comemorativas ganharam um dia que também não foi escolhido por acaso: numa data como a de hoje em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque (EUA) promoviam uma grande greve por melhores condições de trabalho sendo, naquela ocasião, o movimento reprimido com muita violência. Foram trancadas dentro da fabrica onde trabalhavam e queimadas. 130 tecelãs morreram carbonizadas.


Em 1910, num evento na Dinamarca, ao se relembrar o caso de Nova Iorque, consagrou-se o Oito de Março como o Dia Internacional da Mulher.

Merece respeito e admiração a luta da mulher por igualdade de gênero, mercado de trabalho, espaço político, respeito, e contra a discriminação;  e como  foi dito aqui,  já se vão muitos avanços.

A data de hoje  tem um tom profundamente reflexivo, no entanto, com o passar dos anos ganhou aspecto mais comemorativo, o que fez surgir uma substancial mudança de foco. Uns certamente vão comemorar com flores, presente, café da manhã na cama, uma ida ao motel ou mesmo uma viagem; outros vão seguir o rito inicial o de  tirar o dia para refletir, celebrar conquistas e defender novas bandeiras. 

“Pelo que representamos hoje na sociedade deveríamos ser homenageadas todos os dias. Não só com presentes, mas com respeito e mais companheirismo”, disse-me ontem à tarde uma amiga numa alusão à sua jornada diária plural de mãe, esposa, dona de casa e mulher de negócio.

 “A melhor maneira de vocês, homens, nos homenagearem é serem mais presentes e dividir conosco o peso dessa jornada que, ainda executamos de salto alto”, completou a bem humorada amiga. 

Por coincidência ouvi, com palavras diferentes, a mesma observação de quase todas as mulheres que conversei na tarde de ontem.

Uma colega de trabalho ao comentar sobre o tema  radicalizou: disse que a mulher, seja esposa, filha, irmã ou amiga “não é escrava do sexo masculino e não veio ao mundo somente para servir”. “Assim como meu pai e meu esposo, trabalho fora, ajudo igualmente nas despesas, estudo, e ainda cuido da casa e de educação dos filhos sozinha”.

A quantidade de depoimentos foi pequena para uma conclusão mais abalizada sobre o assunto, contudo,  das conversas mantidas com elas  extraí pelo menos uma dica  importante pra nós homens: refletir é bom, comemorar conquistas e dar presentes, ótimo; levantar  novas bandeiras  melhor ainda, no entanto  estar ali bem perto delas, e com elas  dividir  o peso da  grande jornada trará às comemorações um novo sabor.

Parabéns, mulheres do Maranhão, do Brasil e do mundo.