12/24/2016

Não estamos sozinhos


Elson Araújo

O texto não é sobre a existência de vidas inteligentes em outras  galáxias,  mas sobre a grande aldeia global,  ou  “big brother”,  em que o planeta  se tornou nos últimos anos. As “lentes do mundo” foram ampliadas e todos são espionados em tempo real dando origem ao que poderia ser chamado de  “o grande olho” , aquele  que tudo vê;  fenômeno  que reputo ser de  enorme impacto psicossocial em todas as sociedades e que ainda carece de muito estudo para   que sejam  analisados   com mais acuidade seus efeitos negativos ou positivos.

Como se comportar diante da certeza de que não estamos mais só  ante o fato que há  sempre um equipamento apontado na nossa direção  a nos observar, a gravar nossas conversas,  e a coletar intencionalmente,  ou não,  nossa imagem ?  Creio que poucas pessoas já pararam para pensar a respeito desse novo momento global, o do domínio do  “olho a que tudo vê;  ressalte-se não no sentido do conhecimento espiritual, mas da extinção do instituto da privacidade.

As ações, atos e omissões, sejam positivas ou negativas dos “nobres  ou dos comuns” são acompanhadas hoje em tempo real,  não só pela mídia convencional ou  pelas novas mídias.  Juntou-se a tudo isso a espionagem clandestina, a espionagem patrocinada pelo aparelho estatal, tanto o  brasileiro, quanto do  estrangeiro, como já foi comprovado e escandalosamente revelado pela grande mídia.

Diante dessa realidade qualquer um pode ser  transformado em herói  ou bandido  ao ter sua intimidade e ou, privacidade  devassadas em questão de segundos. Como disse, trata-se de um fenômeno relativamente novo que a sociedade  brasileira  e mundial  ainda não conseguiram se adaptar direito mas que  apresenta  influência direta no comportamento do indivíduo  e da sociedade.

Como tudo na vida as atividades do “olho que tudo vê” apresenta, e isso não precisa de muito  estudo para identificar, aspectos positivos e negativos.  Quantos corruptos, quantos assassinatos, assaltos, acidentes com mortes  que poderiam ficar  impunes já não foram elucidados?  Por outra via, quantas pessoas  honestas já não tiveram a vida devassada e  estraçalhada com a exposição criminosa de sua privacidade/intimidade  por esse  big brother?   

Imperatriz é um pequeno exemplo do que já ocorre no resto do Brasil. Sem motivações políticas, industrial, grande investigações ou questões de  soberania;  e sim pelo avanço da violência,   aos poucos a cidade vai se transformando nesse  big brother.  O monitoramento já faz parte da rotina da cidade
O “sorria você está sendo filmado” nunca esteve tão presente  na vida de imperatriz  quanto nos últimos dois anos. E não é só na região central. Em alguns bairros,  um olhar mais acurado e logo é possível perceber  a existência de câmeras estrategicamente instaladas, seja em postes, árvores, ou mesmo “escondidinha” em um ponto qualquer das residências ou empresas.

Alguns crimes de repercussão  ocorridos por aqui e que poderiam  ter caído na “galeria do esquecimento” e se transformado em um mero procedimento investigatório  sem  muita consequência, só foram elucidados graças às imagens captadas por essas “câmeras escondidas”

Já virou até clichê das autoridades policiais quando entrevistada pela imprensa dizer que  “vamos levantar se alguma câmera nas imediações conseguiu captar as ações dos criminosos”

Pelo que podemos constatar nós podemos até ser diferenciados pela fama, pelos cargos que ocupamos, pela conta bancária, pela roupa, pelos títulos acadêmicos ou religiosos que ostentamos, contudo  automaticamente nos tornamos iguais diante  do  “olho que tudo vê”