1/19/2017

A Falta de água na cidade é um exercício para o futuro


Elson Araújo

A falta de água potável  em Imperatriz é um exercício para o futuro. Certo  é que esses dias de angústia  ocorrem por falha humana  e  que   o problema , por ser pontual,  caminha para ser resolvido. Certo é, também,  que a  concessionária hoje não tem expertise para  agir com rapidez em situações emergenciais como a  deflagrada no início desta semana,  e  que a mesma precisa ser modernizada urgentemente, mas esse episódio  pode ser interpretado como um chamado para a população para o cuidado com as “nossas águas”. Hoje lamentamos, esbravejamos por conta de uma falha, digamos  humana/mecânica, amanhã poderemos chorar pela escassez/racionamento  do produto ,  e mais radicalmente pelo fim dos nossos aquíferos, aí a coisa vai pegar.

Não são de  hoje  os sinais que apontam que no   futuro vamos enfrentar graves problemas de abastecimento de água aqui no nosso quintal. Fato que existem situações, como o aquecimento global,   que terminam por afetar toda a climatologia do planeta, mas isoladamente um conjunto de ações vem sendo protagonizada ao longo dos anos e destruindo e “minando” essa fonte de sobrevivência  na nossa Imperatriz. 

Fundada às margens do segundo maior rio brasileiro a cidade de  Imperatriz   é cortada por pelo menos oitos riachos que hoje vivem dias de agonia.  Chegam ao Tocantins   quase mortos.  Com a expansão urbana , a  falta de  visão de futuro do poder público e de consciência ambiental  de parte da população  tais mananciais foram transformados em canais de esgoto in natura.  As águas do Bacuri, do Santa Tereza, Riacho do Meio,  Capivara e Cacau, os mais conhecidos,  hoje não servem mais para o banho da meninada. Também não tem mais espaço  para  “o tucanaré, e   o piau;    e o matagal que os margeava igualmente desapareceu.  No máximo o  jacaré,  ou  aqui e acolá,  um bodó, ainda são vistos.

As fontinhas, ou cacimbas que se acumulavam ao longo das margens do Tocantins  frequentemente lembradas pelos nossos poetas, já sumiram  faz tempo.  São só lembranças, nada mais.  Foram sepultadas, senão pela ocupação desordenada das margens do Rio, pela devastação da vegetação ciliar.

As fontinha sumiram, os riachos estão quase mortos, agora,  numa linguagem moderna,  é a vez do Rio Tocantins que em 2016, com reflexos ainda 2017, viveu uma das piores secas da história, só comparada pelos moradores mais antigos   a uma ocorrida nos anos 1960.  O diferencial de hoje  é que além do clima, outros fatores  têm contribuído para a situação do rio chegar  aonde chegou.

O rio sofre diariamente com o despejo sem tratamento do esgoto das cidades que o margeia,  com a destruição da vegetação ciliar;  com a poluição ,e  em algumas situações o represamento criminoso e  o desmatamento das margens de seus afluentes,  e ainda,   não se pode desprezar,  a construção de hidrelétricas.  Estratégicas para a geração de energia limpa,  mas admitam ou não o capital, danosas ao meio ambiente.

Como sujeitos desse processo o que nos resta?

Ficar,  como diz o velho Raul, com a “boca escancarada, cheia de dentes esperando a morte chegar, ou exercitar nossa cidadania e gritar para todo mundo ouvir  que precisamos individual ou  coletivamente  proteger  nossas fontes de sobrevivência para preservar a nossa e,  a  vida das futuras gerações?