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12/30/2025

A terceira mão do advogado: Como a IA Está Recriando a Física do Trabalho Jurídico

 


ElsonMAaraujo

São 20h de uma terça-feira. O café já esfriou. Na tela, um documento com meia petição e um cursor piscando no vazio. No outro monitor, 15 abas abertas: tribunais, jurisprudência, doutrina.

Uma mão escreve. A outra pesquisa. O cérebro tenta fazer as duas e trava. Você conhece essa cena.

Por anos, chamamos isso de "profissão". Até que, em 2022, uma terceira mão apareceu. Silenciosa. Incansável. Absurdamente rápida.

Não é um assistente. É uma nova física.

Chamam de Inteligência Artificial. Eu chamo de o fim do advogado como executor único e o começo do advogado como arquiteto de soluções.

Mas há um paradoxo brutal:

Temos a ferramenta mais poderosa do século… e a usamos como um oráculo de respostas vagas.

Perguntamos "como fazer uma petição de revisão?" e ganhamos um texto genérico. Útil? Talvez. Revolucionário? Nem de longe.

O problema não é a ferramenta. É a falta do manual de pilotagem forense.

O Ponto cego que está custando horas da sua semana

Você foi treinado para pensar como jurista, não como engenheiro de prompts. Essa é a nova alfabetização digital não negociável.

A diferença entre um resultado genérico e um resultado pronto para guerra está em UM comando. Compare:

 Prompt do Colega Cético:
"Escreva uma petição inicial de ação revisional de plano de saúde."

 Prompt do Advogado Amplificado:

*"Aja como um especialista em direito do consumidor e saúde suplementar. Com base na violação do teto da ANS de 6,06% para planos individuais, redija a fundamentação jurídica (tópico 'DO DIREITO') para uma petição inicial. Estruture em: 1) Aplicação do CDC à relação, 2) Violação da Lei 9.656/98, 3) Pedido de restituição em dobro nos últimos 36 meses. Use tom persuasivo e técnico."*

O primeiro gera um rascunho inútil. O segundo gera a espinha dorsal da sua peça em 12 segundos.

A IA não é um oráculo. É um estagiário de QI 180 que nunca pisou num fórum. Cabe a você dar a ele a orientação processual.

Os 3 Pilares da Transição (Do Artesão Para o Arquiteto)

  1. Sua mão agora edita, não escreve do zero
    Seu valor migra da redação bruta para a capacidade de instruir, refinar e validar. Você não perde a autoria. Potencializa ela. Delega o massivo e foca no magistral.

  2. A segurança é um protocolo, não um palpite
    A IA "alucina". Inventa artigos, citações, jurisprudência. O antídoto não é o medo, é o protocolo.
    ✔ Ela cita um artigo? Você abre o Vade.
    ✔ Ela menciona um acórdão? Você valida no DJE.
    A revisão humana crítica vira seu core profissional. É mais seguro que confiar só na memória sobrecarregada de um fim de expediente.

  3. A Produtividade se mede em ciclos, não em horas
    Esqueça "quantas horas levei". A métrica agora é "quantos ciclos de melhoria eu rodei?".


Em uma manhã, você pode:
→ Ciclo 1: Gerar o esqueleto da contestação.
→ Ciclo 2: Fundamentar cada tese defensiva.
→ Ciclo 3: Analisar riscos da inicial contrária.
→ Ciclo 4: Refinar a linguagem para persuasão.
O trabalho linear vira um processo iterativo. E a qualidade dispara.

O Limiar Invisível 

Enquanto você lê isto, o mercado já se dividiu:

  • Grupo A: Ainda vê a IA como um chatbot curioso. Usa para "dar uma olhada".

  • Grupo B: Reengenhou seus fluxos em torno dela. Ganhou vantagem brutal em velocidade, consistência e escala.

A pergunta não é SE você vai migrar para o Grupo B, mas QUANDO , e a que custo de oportunidade.

O conhecimento para isso está espalhado: um tutorial aqui, um prompt ali. O desafio é sintetizar o método.

Foi essa síntese  nascida de erros, testes e muitos cafés gastos com ChatGPT , que me levou a compilar um manual de operações. Não é teoria. É um guia de guerra para o dia a dia:

  • A estrutura exata de um prompt infalível (o Método RISCO).

  • A biblioteca de prompts prontos para redação, pesquisa e análise.

  • Os fluxos para automatizar revisão de contrato, preparação para audiência e mais.

  • O protocolo de segurança para nunca cometer um erro ético.

Chamei de "IA para o Advogado Prático". É o manual que eu queria ter tido quando comecei.

Se a ideia de trocar a colher pela escavadeira faz sentido para você, eu separei uma amostra prática do método.

🧠 Baixe já aqui, já   o seu, copie e cole …https://chk.eduzz.com/G92E658XWE




É o primeiro passo para deixar de ser o advogado das duas mãos sobrecarregadas, e se tornar o advogado que projeta, comanda e amplifica o seu trabalho.

O futuro não é dos que têm a IA. É dos que sabem falar com ela.



Nova Tributação de 2026 -Fatos, mitos e o que ninguém está te explicando

 


IBS e CBS entram em vigor em janeiro de 2026 e a desinformação cresce na mesma velocidade. Entenda o que é verdade, o que é fake news e onde está o real impacto para empresas e profissionais.

A maior reforma tributária das últimas décadas no Brasil tem data marcada: 1º de janeiro de 2026. Com a substituição de cinco tributos por dois novos impostos sobre o consumo, o país inicia uma transição profunda, e inevitável, no seu sistema de arrecadação.

O problema é que, junto com a complexidade da mudança, surgiu um ambiente fértil para boatos, alarmismos e interpretações equivocadas, sendo o mais popular deles a suposta “taxação do PIX”. Não há base legal para isso  e ignorar essa distinção pode custar caro.

 O QUE É VERDADE (COM BASE NA LEI E EM ATOS OFICIAIS)

 A reforma começa em 2026.


A Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a Emenda Constitucional nº 132/2023, confirmou o início da vigência do novo modelo. Não existe, até o momento, qualquer adiamento jurídico geral.

🔹 Cinco tributos serão substituídos por dois:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
    Substitui PIS, Cofins e IPI (federal);

  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
    Substitui ICMS (estadual) e ISS (municipal).

🔹 A Receita Federal já emitiu comunicados oficiais.
 

Em 02 de dezembro de 2025, a RFB e o Comitê Gestor do IBS publicaram orientações formais, alertando empresas e profissionais para o início das novas obrigações fiscais.

🔹 Notas fiscais e sistemas serão alterados.


Notas Técnicas — como a NT 2025.002 — já definiram novos leiautes para NF-e, NFC-e e demais documentos fiscais eletrônicos, com campos próprios para IBS e CBS.

🔹 O “alívio” foi apenas técnico, não jurídico.


Embora a validação automática dos campos tenha sido flexibilizada inicialmente, a obrigação legal de calcular e recolher os tributos a partir de janeiro de 2026 permanece intacta. A não adequação pode gerar autuações retroativas.

🔹 O impacto operacional é imediato.


Empresas precisarão revisar ERPs, classificação fiscal de produtos e serviços, contratos, precificação e treinamento de equipes.


❌ O QUE É MENTIRA OU DESINFORMAÇÃO

🚫 “O PIX será taxado em 2026.”
 

MENTIRA.


O PIX não é fato gerador do IBS ou da CBS. Os novos tributos incidem sobre consumo, e não sobre transferências financeiras. Qualquer eventual taxação do PIX exigiria outra proposta legislativa, inexistente até o momento.

🚫 “A reforma foi adiada novamente.”

 MEIA VERDADE.

 Não houve adiamento da vigência legal. O que ocorreu foi uma flexibilização técnica operacional, sem impacto no dever jurídico de cumprimento da lei.

🚫 “Pequenas empresas não precisam se preocupar.”

 PERIGOSAMENTE FALSO.

 Mesmo com regras transitórias para o Simples Nacional, todas as empresas que emitem nota fiscal serão impactadas direta ou indiretamente.

🚫 “Os preços vão cair imediatamente.”
SIMPLIFICAÇÃO EXCESSIVA.

 A promessa de redução de cumulatividade é estrutural e de longo prazo. No curto prazo, custos de adaptação e ajustes de mercado são inevitáveis.

 ANÁLISE PRÁTICA: O QUE FAZER AGORA?

O maior risco não está na reforma em si, mas na desinformação que paralisa decisões estratégicas.

👉 Empresários que acreditam no mito da taxação do PIX tendem a ignorar o que realmente importa:


✔️ adequação fiscal
✔️ revisão de preços
✔️ planejamento tributário
✔️ segurança jurídica

 PARA EMPRESAS, CONTADORES E CONSULTORES

✔️ Priorize a adaptação real, não o barulho das redes;
✔️ Eduque seus clientes com informação técnica e clara;
✔️ Antecipe diagnósticos, checklists e revisões de sistemas;
✔️ Prepare-se para um pico de demanda por consultoria no segundo semestre de 2025.


 CONCLUSÃO

A Reforma Tributária de 2026 é complexa, inevitável e administrável ,  desde que enfrentada com informação correta e planejamento técnico.

O verdadeiro inimigo não é o IBS ou a CBS, mas a fake news travestida de alerta econômico.

📌 Ignorar a realidade por acreditar em mitos é o caminho mais curto para prejuízos fiscais e operacionais.

 A hora de agir é agora.

Fontes Oficiais Consultadas 

  • Emenda Constitucional nº 132/2023 (Reforma Tributária).

  • Lei Complementar nº 214/2025.

  • Comunicado Conjunto RFB/Comitê Gestor do IBS de 02/12/2025.

  • Notas Técnicas NT 2025.002 e NT 2025.001.




SAIBA MAIS


1. O Imposto Seletivo (O "Imposto do Pecado")




Segundo o governo,  objetivo não é apenas arrecadar, mas desestimular o consumo de itens que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente.

  • O que será taxado: Cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas (refrigerantes e refrescos), veículos poluentes, embarcações, aeronaves e a extração de minérios e petróleo.

  • A "Fake News" da vez: Muita gente diz que "tudo vai ficar mais caro". Fato: O Imposto Seletivo incide apenas sobre essa lista específica. Alimentos da cesta básica, por exemplo, são imunes a esse imposto e muitos terão alíquota zero.

  • Quando começa: Embora a reforma comece em 2026 com o "ano-teste", a cobrança efetiva do Seletivo está prevista para 2027, substituindo o antigo IPI.

2. O Cashback Tributário (Dinheiro de Volta)

Pela primeira vez, o Brasil terá um sistema de devolução de impostos para quem mais precisa. É uma forma de corrigir a injustiça de quem ganha menos pagar proporcionalmente mais imposto.

  • Quem tem direito: Famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico (renda per capita de até meio salário mínimo).

  • Como funciona: Ao comprar um produto e informar o CPF na nota, o sistema calcula o imposto pago e devolve uma parte.

  • Quanto volta:

    • 100% da CBS (Federal): Em contas de luz, água, esgoto e gás de cozinha.

    • 20% da CBS e IBS: Nos demais produtos (exceto os do Imposto Seletivo).

  • Combate à desinformação: O cashback não é um sorteio como a Nota Fiscal Paulista; é um direito garantido por lei para quem se enquadra nos critérios sociais.


🛡️ Mural "Fato ou Fake" (Para 2026)

O que dizem por aí (Boato)A Realidade (Fato)
"Haverá um imposto de 27% sobre Pix e transferências."FALSO. Não existe imposto sobre movimentação financeira. A reforma tributa o consumo, não a transferência de dinheiro.
"A carne vai ficar caríssima por causa da reforma."FALSO. A maioria das carnes foi incluída na Cesta Básica Nacional com alíquota zero.
"O imposto de 1% em 2026 é um aumento na carga."FALSO. Esse 1% é descontado do que a empresa já paga de PIS/Cofins. O valor total pago não muda em 2026.

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