7/12/2012



O Crime não compensa e deixa rastros: sequestradores de Pedro Paulo estão presos.

Joyce Magalhães e Rodrigo Reis – dominuto.com

Secretário de Segurança revela como foi o sequestro de Pedro Paulo

A quadrilha era extremamente organizada e a forma de comunicação do sequestro foi usada uma só vez no Brasil, no estado do Paraná

Logo após a apresentação dos três acusados do sequestro de Pedro Paulo, o secretário de  Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, esclareceu várias dúvidas como a questão do pagamento do resgate, cativeiro e mandantes do crime. Inicialmente, o secretário agradeceu o empenho das polícias do Tocantins, Maranhão e Pará, além do Ministério Público do Maranhão e Poder Judiciário.
O secretário disse que o importante era dizer que a vida do menino foi preservada e que desde o primeiro momento sabia onde o garoto estava cativo. Todavia, a informação foi guardada em sigilo para que o menino pudesse ser libertado. “Nós temos a consciência de que a vida é o mais precioso e somente a partir do momento que ele foi solto é que efetivamos a operação e conseguimos prender parte da quadrilha. A outra parte é questão de tempo”, revelou.
Durante a coletiva, Aluísio Mendes novamente ressaltou que a polícia aguardou a negociação ser feita para que pudesse efetivar a prisão dos criminosos. Ele disse que quadrilha foi comandada por um elemento extremamente perigoso, com mais de 10 mandados de prisão entre eles sequestro, assalto e homicídio. E este elemento é procurado em todo o Brasil e que já foi identificado, todavia não iria divulgar nome.
 Antonio Diaguí, ex funcionário de Jurandir, pai de Pedro Paulo. (Foto: Rodrigo Reis)
Planejamento -  “O sequestro foi planejado por um ex-funcionário do pai do menino, Jurandir Mellado”, disse o secretário. Em seguida afirmou que o ex-funcionário além de idealizar o sequestro, convidou  bandidos perigosos para executarem o sequestro. “O sequestro tem algumas nuanças muito características de uma quadrilha extremamente organizada, toda a comunicação era feita via chip de memória , eles gravavam no chip de memória as mensagens, então é uma forma de comunicação em crime de sequestro usada só uma vez no Brasil no estado do Paraná e feita agora aqui no Maranhão”, revelou o secretário de segurança.
A outra forma de comunicação eram potinhos com bilhetes que eram deixados em pontos específicos onde as pessoas ou o pai da criança eram comunicadas de que havia um aviso em tal lugar. “Então era uma quadrilha muito bem organizada, bem preparada, uma quadrilha extremamente perigosa e que graças a esse trabalho extremamente técnico e  profissional foi desmontada”, enfatiza o secretário.
 “Em linhas gerais, nós já temos cinco presos,  dois  presos na cidade de Marabá (que foram apresentados agora) , um preso na cidade de Imperatriz (que é o ex-funcionário do senhor Jurandir, pai do menino Pedro) e mais dois foram presos no TO , no local do cativeiro que estão nesse momento com a polícia do TO sendo ouvidos. Nós temos ainda mais quatro mandados de prisão para serem cumpridos e que já estão em efetivação.  As polícias do TO, PA, MA e GO já estão empenhadas na prisão desses quatro elementos , são três homens e uma mulher que estão foragidos. É uma questão de tempo a prisão deles”, assegura Aluísio Mendes.

Questionamentos da imprensa ao secretário de segurança pública

Quanto em dinheiro foi oferecido para os sequestradores?
 “O sequestro teve o preço de 500 mil reais, esse dinheiro foi integralmente pago pela família e volto a frisar, foi um pagamento todo monitorado pela polícia. Nossa preocupação era que o dinheiro fosse entregue e com isso o pequeno Pedro Paulo fosse solto. Antes disso, nós nos asseguramos e pedimos provas de vida de que ele estava vivo antes de conceder esse dinheiro, e a partir do momento que tivemos toda a certeza de que ele estava vivo nós permitimos que o dinheiro fosse pago, e monitoramos a quadrilha a partir do pagamento desse dinheiro.
Nós conseguimos recuperar 100 mil reais, porque parte do dinheiro está dividido entre os outros membros quadrilha, sendo um deles o principal elemento da execução, que ainda está em liberdade, que levou 50% desse dinheiro”.
Em que momento os sequestradores fizeram contato com a família?
“Os contatos foram feitos desde o primeiro momento do sequestro, nós não divulgamos isso. A polícia usou isso como estratégia e é importante que vocês entendam isso; em algumas investigações o sigilo é fundamental e a policia tem que trabalhar com esse sigilo porque corre o risco de ter toda uma investigação ficar comprometida se algumas informações vierem a público. Então esse contato estava acontecendo de maneira frequente como disse pra vocês, através de chips de memória, e através dessa forma de comunicação: potes com esse sbilhetes eram abandonados em pontos estratégicos e era comunicado onde eles estavam. Então nós estávamos omitindo esse detalhe pela necessidade de manter o sigilo para preservar vida do Pedro Paulo”.
Como essas informações foram diferenciadas dos inúmeros trotes?
A polícia tem uma maneira de filtrar, justamente pela forma de comunicação de uma quadrilha extremamente profissional que só se comunicava por meio do chip de memória ou por esses bilhetes deixados nesses potes. Então qualquer outra informação que não chegava por esses meio, era totalmente descartável.
Quais as condições do cativeiro?
“Nós vamos falar de maneira genérica, por que os delegados continuam na investigação, como eu disse, ainda existem pessoas que serão presas em breve, já estão com os mandatos de prisão expedidos. O cativeiro era num pequeno povoado em uma área rural. No cativeiro tinha sempre um dos sequestradores e uma mulher que levava alimentação e cuidava do pequeno Pedro Paulo. Também já identificada e com a prisão decretada”.
Quais as condições do cativeiro?
“Nós vamos falar de maneira genérica, por que os delegados continuam na investigação, como eu disse, ainda existem pessoas que serão presas em breve, já estão com os mandatos de prisão expedidos. O cativeiro era num pequeno povoado em uma área rural. No cativeiro tinha sempre um dos sequestradores e uma mulher que levava alimentação e cuidava do pequeno Pedro Paulo. Também já identificada e com a prisão decretada”.

Bruno Francisco. (Foto: Rodrigo Reis)

Mais informações do mandante do crime? – “A pessoa que organizou o sequestro deu todas as informações sobre a vida do Jurandir, pai de Pedro Paulo, e informou inclusive a restrição alimentar de que o menino tinha. Por isso, a quadrilha teve inclusive essa preocupação afim de que o menino não viesse a perecer durante o período no cativeiro”

“Quem deu toda a informação sobre a vítima, que seria o pequeno Pedro Paulo, foi dado como um ex-funcionário que foi demitido e montou outro negócio. E quem em algum momento teve problema entre patrão e funcionário. Em função disso, já era uma pessoa com histórico de violência, já tem alguns inquéritos por tentativa de homicídio. Por conhecer a rotina da vida e as finanças do comércio do pai de Pedro Paulo, tramou esse sequestro, inclusive dando o valor específico que deveria ser cobrado, de que o pai do garoto tivesse condição de levantar naquele pequeno espaço de tempo. Num primeiro momento foi ventilado um valor maior, mas ele (ex-funcionário) disse que Jurandir não tinha condição de pagar. Então, ele deu todas as informações, foi o grande responsável pela organização do sequestro. Embora quem efetivou foi um bandido perigoso procurado em todo Brasil”, finalizou o secretário Aluísio Mendes.