11/14/2012

Há um espaço político a ser preenchido, sem passar pelos Sarney ou Flávio Dino


Por Roberto Kernard 

O ano de 2013      será essencialmente um ano político.   Nada será realizado sem os olhos nas eleições de 2014.

O que teremos, no Maranhão, em 2014? Os sinais de 2012 mostram que tudo será feito para fortalecer a polarização entre o grupo Sarney e o grupo de Flávio Dino (PCdoB). Isso é bom para o Maranhão? Não há outros pensamentos políticos que divergem do grupo Sarney e do grupo de Flávio Dino? O que nos pode dizer o resultado da eleição nas duas principais cidade do Maranhão, São Luís e Imperatriz? Afinal, estamos numa democracia, ou não ?
Parece-me claro que a polarização grupo Sarney versus grupo de Flávio Dino não conforma mais uma ideia hegemônica no Maranhão. Há vastos setores na sociedade maranhense que não se sentem representados pelos dois grupos. Fato. E com os fatos não devemos discutir.
Vejamos alguns deles.
Flávio Dino escreveu que não poderia ser candidato a prefeito de São Luís por questões pessoais. Mas participou ativamente da campanha de Edivaldo Holanda Júnior (PTC), que foi escolhido como seu candidato e de quem foi, no primeiro e no segundo turno, mais do que o mais forte cabo eleitoral.
E o que se passou em São Luís?
Foram 177.176 eleitores (a soma de votos nulos, brancos e abstenções) que disseram não a Castelo e a Edivaldo Holanda Júnior. Ora, como foi um não a ambos, Júnior teve também, por óbvio, 177.176 eleitores que não quiseram votar nele. Se somarmos, então, com os 220.0850 que votaram em Castelo, portanto, de quem não queria Júnior, teremos a expressiva soma de 397.261 que não fecharam com Flávio Dino e Edivaldo Holanda Júnior.
Há, de forma clara, um vácuo a ser preenchido politicamente.
Em Imperatriz, o grupo de Flávio Dino tentou isolar o tucano Sebastião Madeira. Como Imperatriz é tida como antissarney, contavam que Madeira não teria saída, pois jamais iria procurar parcerias com o Governo do Estado. Bem aí morreu o Neves. Madeira fez, sim, e não poderia ser diferente, afinal as verbas do Estado não são de Roseana Sarney (PMDB), são da população.
E a população entendeu, daí o resultado: Madeira foi reeleito com 71.878 votos (57,61%). O candidato de Flávio Dino, deputado estadual Carlinhos Amorim (PDT) , amargou um terceiro e vexatório terceiro lugar, com apenas 6.814 votos, muito abaixo da candidata Rosângela Barros (DEM), que teve 39.718 votos. Como Madeira venceu com larga vantagem, cria-se a falsa ideia de que a eleição foi fácil. Nada disso, meus caros. Foi a mais difícil eleição: primeiro, porque tentaram isolar o tucano e colar nele a pecha de sarneísta, isso numa cidade tida como a mais oposicionista aos Sarney e que tinha por hábito não reeleger prefeitos. Por aí se tira a importância da vitória de Sebastião Madeira.
Há um detalhe: qualquer pesquisa hoje mostraria que a rejeição a Roseana Sarney caiu consideravelmente em Imperatriz. Madeira teve a dignidade de não esconder que boa parte das obras era fruto da parceria com o Governo do Estado.
O que quero dizer?
Bom, Flávio Dino não é um nome que se possa desconsiderar em 2014, por certo. Mas o desejo de mudança está longe de ser a bandeira unicamente de Flávio Dino. Há imenso espaço para um pensamento de mudança alternativo. Hoje, na oposição ao grupo Sarney, sem alinhamento automático com o grupo de Flávio Dino, há boas forças eleitorais, coisa comprovada com a eleição deste ano. Essas forças precisam se articular desde já. Elas podem e devem mostrar que são capazes de se unir em torno de projetos e propostas viáveis ao Maranhão, que não passam pelos Sarney nem por Flávio Dino.