1/30/2014

Em Londres, Barbosa diz que prisões brasileiras são ‘um inferno’


Vivian Oswald, O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, qualificou nesta quarta-feira as prisões brasileiras como um "inferno". Em Londres, o ministro falou sobre a crise do sistema penitenciário, além do seu possível futuro político. "Nunca fiz militância política", disse ele, ao refutar a possibilidade concorrer à Presidência da República.
- Ano passado fiz visita a presídios como presidente do CNJ. O que posso dizer é que 'horror' é a palavra mais adequada para qualificar as prisões brasileiras. Por que a situação é tão absurda? A questão é política.
O ministro visitou, em abril do ano passado, o Foro das Comarcas de Natal, no Rio Grande do Norte. Na ocasião, ele chamou de 'desesperadora' a situação dos presos.

O presidente do STF também ressaltou que os casos de descaso não ocorrem apenas no Maranhão:

- Prisões são de responsabilidade dos estados. O governo federal tem um papel pequeno. Os políticos não ligam para isso porque não dá voto. (O problema) é em todo o Brasil, não apenas no Maranhão. As prisões brasileiras são como o inferno. Estamos avisando os governos sobre a natureza explosiva das prisões - disse ele, após dar uma palestra de duas horas para 250 estudantes da universidade “King’s College London”.

Barbosa, no ano passado, havia aventado a hipótese de concorrer à Presidência em uma palestra dada em um congresso internacional de jornalismo investigativo, no Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira, o discurso mudou:

Sobre os planos para o futuro, Joaquim Barbosa disse estar ansioso para ser "um homem livre de novo".

- E voltar a ter vida privada e menos exposição.

Barbosa também afirmou não se importar com quem não aprecia o trabalho que faz.


- Não ligo para quem não gosta do meu trabalho, seja ele, ela, liberal ou conservador. Eu faço o que eu acho que é certo. Sou muito cuidadoso. Tenho décadas de experiência na academia, nos tribunais. Esse é o meu guia para fazer o que tem que ser feito. Se liberais ou conservadores gostam, ok. Se não gostam, não me importa.