4/04/2014

O Medo em tempo real.

Sentir medo é uma das peculiaridades do ser humano.  E medo não é no todo ruim, pois ele pode nos livrar de muitos infortúnios. Assim como o veneno, na dose certa, pode salvar ou matar. Neste momento, em Imperatriz, o medo é um fator dominante e negativo por conta da onda de insegurança e violência que sacode a cidade; onda porque não é a primeira vez que isso acontece, e certamente não será a ultima.

Aprender a conviver,  e a usar  a nosso favor, as diversas variáveis do medo é uma tarefa complicada, porém necessária principalmente na atualidade em que a todo o momento somos submetidos a interferências externas que nos obrigam a uma situação de alerta permanente. Não há como fugir do fato de que se trata de mais um item de aprendizagem a ser incluído no portfólio do nosso “manual de sobrevivência urbana, ou melhor, humana”.

É em estado de alerta e medo permanente que nos últimos dias os imperatrizenses têm potencializado de forma real ou imaginária, esse clima de violência nas redes sociais. A informação, verdadeira ou não, circula numa velocidade nunca  antes vista neste País.  Em questão de segundos textos e fotos de corpos crivados de balas, vídeos de bandidos em ação, quase em tempo real, são compartilhados com quem está ou não online.  A desgraça agora é mostrada em tempo real.

As imagens são apreendidas e armazenadas no disco rígido do nosso cérebro.  Os resultados desses bombardeios de informações negativas a curto, médio e longo prazo são difíceis de precisar, pois o efeito é individualizado; no entanto,  já é possível    dizer que o volume elevado dessas informações, algumas falsas e superlativadas,  provocam um clima de  medo e de histeria coletiva jamais vistos na cidade. O medo coletivo começa a evoluir para sua forma mais estrema: o pavor.

Nas redes sociais por vezes o real e o imaginário, são dirimidos com imagens e vídeos. Um amigo passou mal essa semana quando lhe exibiram no aplicativo whatsapp o vídeo de um homem amarrado sendo esfaqueado até a morte. Eu mesmo  tentei assisti-lo, mas parei logo no início e apaguei da minha rede. As imagens verdadeiras ou falsas do homem em desespero,  imobilizado  e sendo dilacerado a golpes contínuos de faca, vez por outra aparecem na minha mente. A sensação é horrível. Tenho tentado varrê-las da mente, mas não tem sido fácil.  O vídeo continua, como um vírus, circulando por ai.

Estudos científicos já comprovaram que  a intensidade do real e do imaginário apreendido pelos sentidos e armazenados   no cérebro têm a mesma influência na mente do ser humano.  Os efeitos de tudo isso  podem ser devastadores,  dependendo da estrutura psicológica de quem absorve essas imagens. Para  ilustrar o que digo basta relembrar o caso da mulher que, assustada com o estampido do que seria uma arma de fogo durante um movimento grevista sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e morreu a caminho do  Hospital . Um indicativo de que esse tipo de medo que ora toma conta da cidade e do País não nos faz nenhum bem.

A divulgação maciça de crimes  pela mídia estimula nos indivíduos o sentimento de medo coletivo que possui como consequência a sensação constante de insegurança. Essa afirmação não é minha,  é de Patricia Bandeira de Melo, socióloga e jornalista pela UFPE e pesquisadora da Coordenação Geral de Estudos Econômicos e Populacionais (CGEP) da Fundação Joaquim Nabuco.  O estudo faz parte da sua tese de doutorado “Histórias que a mídia conta: o discurso sobre o crime violento e o trauma cultural do medo”
Diante do que os estudiosos já descobriram  sobre a parte negativa do medo que pode provocar diversos problemas de ordem  física e psicológica como aceleração cardíaca, tremores, depressão, pânico etc,  urge a adoção de providências que garantam a segurança pública e o restabelecimento da paz em Imperatriz.

Sobre o medo, a psicóloga  Rosemeire Zago em recente artigo, disponível em www.vilamulher.com.br escreveu que – “Todo mundo teme algo - assaltos, aviões, doenças, dentistas, solidão, entre outras coisas. Claro que a intensidade do medo é intensificada pelo histórico de vida de cada um. “Portanto, diante de nossos pavores, só nos restam duas alternativas: lutar ou fugir”

No caso de Imperatriz, a fuga só agravaria o problema. O caso é de enfrentamento.  Autoridades e sociedade precisam dar as mãos e partir para o enfrentamento da situação.

No entendimento de Rosimeire Zagoo a luta contra o medo torna-se uma reação positiva quando existe uma situação de ameaça a vida, nesse caso, o medo  não é uma reação patológica, mas de proteção e autopreservação, como é o caso hoje de nós, povo de Imperatriz.