6/19/2014

A casa dos milagres.


Nos últimos sete dias tive  o privilégio de participar de dois importantes eventos relacionados ao idoso. O primeiro, na Praça de Fátima, chamava a atenção para os casos de violência contra a pessoa idosa; o segundo, festivo, deu-se na Casa do Idoso Feliz, na escolha da rainha caipira da casa.  Impressionante os depoimentos dos seus membros quantos aos efeitos físicos, psicológicos e  sociais nas suas vidas  desde que ali se integraram.  Não é exagero dizer que muitos foram completamente curados de males que o afligiam e estão lá para contar e recontar suas histórias do antes, e do depois, da Casa do Idoso.

Nos minutos que antecederam o  desfile das candidatas à rainha caipira, cada uma mais bonita e mais alegre do que a outra, pelo menos três frequentadores da casa fizeram questão de  dar seu testemunho.  Chegaram doentes, com baixa estima,  e ali encontraram uma nova razão de viver.

Muitos como o senhor Antônio Teixeira de Sousa,  nem lê,  sabiam.   A casa já alfabetizou, segundo a coordenadora  Maura Barros, mais de 200 idosos. Um outro exemplo é da dona Maria do Carmo, a  dona Carmitinha,  que depois de alfabetizada já fez até a faculdade da terceira idade.

Presente no evento, ao lado da esposa, da sogra e da secretária de Desenvolvimento Social  Mirian Reis,  o Pastor Porto, vice-prefeito de Imperatriz,  que  representava o prefeito Madeira, diante dos relatos daquelas personagens,  ao fazer uso da palavra, em tom emocionado,  acabou por  intitular aquela instituição como “ a casa dos milagres”,  qualificativo  que acabou dando  título  à  coluna desta semana.

E o que tem de miraculoso na Casa do Idoso Feliz?  A  ou,  as respostas a essa pergunta só se torna possível, e mais exata, a pessoa  indo lá, observando as reações de cada um às atividades propostas ou realizadas.  Nesta quarta-feira foi a escolha da rainha caipira, mas tem o dia das mães, o dia dos pais, o Carnaval,  o Natal, os aniversários etc. Tristeza anda  é longe dali o bom humor é abundante. Sente-se a vitalidade no ar.

Na gestão do prefeito Madeira os serviços da Casa do idoso Feliz foram ampliados.  Os quase mil e quinhentos idosos têm ali, gratuitamente, médico, psicólogo, assistente social, enfermeiro, técnico em enfermagem, assistente social,  nutricionista, pedagogo, instrutor de artesanato, instrutor de música,  e um ingrediente facilmente detectado: uma dose cavalar de amor emanada dos profissionais envolvidos nas atividades do lugar.

Arrisco um diagnóstico diante do que ouvi e observei:  a Casa do Idoso Feliz, ou a Casa dos Milagres, como definiu o  Pastor Porto,  é   “a fonte da juventude”  para aqueles meninos e meninas,  sem a qual muitos já teriam morrido,  ou estariam prostrados no fundo de uma rede ou num leito hospitalar. O corpo, e é o curso natural da vida, pode é não responder mais  a determinados comandos, mas a mente e a  alma  continuam mais jovens do que nunca.

Essa semana perto da Prefeitura tive o prazer de reencontrar uma personagem da cidade que deu mais uma pista muito grande para  “a ocorrência dos milagres” na Casa do Idoso Feliz.  Aos 86 anos ela não frequenta a casa
mas  tem tanta vitalidade  e bom humor  como os de lá.  Angélica Rodrigues, ex-vereadora, funcionária pública aposentada, não exerce hoje nenhum cargo de livre nomeação, mas todos os dias “bate ponto” numa repartição pública estadual  e ali,  atende com carinho, e segundo ela, muito amor, a quem chega em busca de algum tipo de apoio ou informação.  “O segredo de ter saúde e viver muito, meu filho, é amar as pessoas, é servir ao próximo” me ensinou ela.

Impregnado na minha mente, com  as experiências  dos últimos dias, ficou que o idoso não pode  ser visto  e mencionado como “uma coisa” que já passou; como alguém sentado  numa “montanha de lembranças”, mas como um sujeito permanente do processo, com um passado de boas ou,  talvez, más memórias,  mas construtor do presente e do futuro.