9/12/2014

Opinião “fast food”


Mesmo sem rigor científico é possível perceber as tendências, ou  reações positivas ou negativas das pessoas diante de um fato, um acontecimento   presente, do  passado e do futuro. Essa capacidade perceptiva  ganha mais força com a velocidade impressa hoje na veiculação da informação que faz com que as opiniões individuais rapidamente se colecionam, e formem o que aprendemos a chamar de opinião pública,  no meu entender,  o “dínamo” das sociedades livres.

Deparamo-nos com a força da Opinião Pública  do amanhecer ao anoitecer  sendo  essa  um importante vetor  do dito  controle social.  

Não é forçoso, nem redundante, falar que a nossa Constituição garante que utilizemos livremente a manifestação do pensamento, seja nas praças,  reuniões públicas e privadas; ou por  intermédio dos livros, revistas, jornais, redes sociais.  Sem dúvida, um privilégio  da nossa Democracia. 

Em que pese a importância  e a influência  do fenômeno da opinião pública  na sociedade verificamos  no processo de sua  formação o que chamo de as  frágeis porém, perigosas, “opiniões fast food”; que são   aquelas, que embora,  de consumo rápido, são  capazes de em questão de minutos transformar heróis em bandidos, e bandidos em heróis; com o detalhe real de que nem sempre o bandido é um herói, nem o herói é um bandido.  É, para tal fenômeno que na coluna de hoje chamo a atenção: “as cascas de banana”  que nos são  impostas todos os dias pela  opinião pública.   

Poderosa, a opinião pública nos joga contra a parede quase o tempo todo  uma vez   que  nos é apresentado  um  vasto cardápio de coisas e loisas para nosso, nem sempre preparado,  julgamento.  

Sobre  uma marca de carro ou carne, o escândalo nacional da hora ou mesmo o assunto, neste instante,  mais presente na vida nacional:  as eleições, ela, a opinião pública,  se manifesta   dentro e fora dos nossos domicílios. Chega como uma onda avassaladora sem que, ás vezes, tenhamos tempo de recepciona-la criticamente.

Para continuar o assunto aqui eu peço socorro a algumas personalidades históricas que em algum momento se manifestaram sobre o fenômeno da opinião pública, termo que teria sido inaugurado pelo francês  Jean Jacques Rousseau, no século XVIII.  Sobre o tema teria ele escrito certa vez que “ quem quer que se dedique à tarefa de legislar para um povo deve saber como manejar as opiniões, e através delas governar as paixões dos homens”.

Jeremy Bentham, citado num artigo do jornalista  Harwood L. Childs, ( O que é opinião publica ?)  teria sido o primeiro a sublinhar a importância da opinião pública como meio de controle social,   a discutir sua relação com a legislação e a examinar o papel desempenhado pela imprensa na sua formação.  Afirmava ele  que a opinião pública era necessariamente parte integrante de qualquer teoria democrática do Estado. O problema fundamental, raciocinava o autor,  era “ salientar a retidão das decisões por ela tomadas”

Também citado por Harwood L. Childs, James Bryce,  de forma simples define opinião pública como “ qualquer  ponto de vista ou conjunto de pontos de vista aceitos por uma aparente maioria dos cidadãos”

E de fato, é a pouca,  ou falta de retidão da opinião pública, facilmente induzida a erro e manipulada pelas “opiniões fast food”, ou  pelo  que ouso chamar de “ verdades engarrafadas”,  o grande problema.  Um simples, e calculado,  boato depositado no “ grande    banco da opinião pública”  é capaz de mudar o rumo de uma história, de um negócio;   destruir  reputações, gerar conflitos e até mesmo quebrar um País. 

 O assunto é amplo, chato porém importante já que  existe a necessidade premente de nós, como seres sociais, aprendermos a lidar com esse “dragão social”  que nos rodeia. 
Ao concluir pode se dizer que diante desse aspecto nocivo da formação da opinião pública exige-se de pronto um cidadão, e consequentemente uma sociedade,  mais crítica, atenta e perceptível ao jogo oculto por trás  do xadrez da sua formação  uma vez que nem sempre,  essa tem razão.