11/20/2014

Hospital Municipal já realizou mais de 200 cirurgias de fissura labiopalatina em Imperatriz.


O serviço é uma parceria entre a Prefeitura e a Faculdade de Imperatriz.

O cirurgião bucomaxilar e professor universitário Leônilson Gaião, informou ontem pela manhã  que desde que fora implantado em Imperatriz,  no início deste  ano o serviço de reparação de fissura labiopalatina, conhecido nessa região, por 'beiço rachado',  já beneficiou dezenas de pacientes.  Conforme o cirurgião são realizadas todo o mês no Hospital Municipal (Socorrão) cerca de 15 cirurgias.
                                                                   Leônilson Gaião

“ Há mais de 250 pacientes cadastrados. O número só  não é maior porque muita gente ainda não sabe que existe, gratuitamente, esse tratamento em Imperatriz” informou Leônilson Gaião,, ressaltando que o apoio  da Prefeitura tem sido fundamental para a implantação e manutenção desse tipo de procedimento na cidade.

Gaião informou ainda que  o contato inicial  para que busca esse tratamento é feito no Centrinho,  entidade formada por uma equipe multidisciplinar, localizada no Hospital Escola da Faculdade de Imperatriz-FACIMP- parceira do projeto, localizada na Rua Ceará 1135, Nova Imperatriz.
         
   Essa unidade de  atendimento de  saúde  bucomaxilar   contar  com sete salas de atendimento (psicologia, nutrição, serviço social, fonoaudiologia, cirurgia, odontologia e caso novo). Neste espaço atende o grupo multidisciplinar, formado por assistente social, nutricionista, cirurgião bucomaxilofacial,  cirurgião plástico, fonoaudióloga, psicóloga e ortodontistas e odontopediatras, junto com uma grande equipe de estagiários.
           Na verdade esse tipo de cirurgia reparatória é realizada em Imperatriz desde 2007, contudo foi implementada   esse ano depois da formalização da  parceria entre a Facimp e a Prefeitura por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde.
Conceição Madeira
A secretaria de saúde Conceição Madeira disse ontem  que essa é um tipo de parceria de um alcance social extraordinário e que  proporciona satisfação a qualquer gestor já que trata-se de um serviço que muda para sempre a vida de  uma pessoa.

Sobre a deformidade

O lábio leporino é uma abertura na região do lábio e/ou palato do recém-nascido, ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas na fase embrionária, isto é, entre a 4ª e a 12ª semana de gestação.

As fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam desde formas mais leves como cicatriz labial ou úvula bífida ("campainha" dividida) até formas mais graves, como as fissuras completas de lábio e palato. As fissuras podem deixar o canal oral em contato com o nasal.

Em cada 650 nascimentos no Brasil, uma nasce com fissura labiopalatal. Uso de álcool ou cigarros, a realização de raios-x na região abdominal, a ingestão de medicamentos, como anticonvulsivantes ou corticoide, durante o primeiro trimestre gestacional, deficiência nutricional, além da hereditariedade.

Com a alteração da anatomia da face, há maior risco das crianças aspirarem o alimento provocando infecções como otites e pneumonias. As otites podem causar prejuízos no desenvolvimento da fala e linguagem.
As anemias também são frequentes nas fissuras labiopalatais normalmente solucionáveis com uma dieta balanceada e sulfato ferroso.

CONHEÇA MAIS SOBRE O CENTRINHO

Em 2007, um grupo de professores do Curso de Odontologia da Faculdade de Imperatriz, preocupado com o número de pacientes portadores de fissuras labiopalatinas da Região Tocantina que buscavam o Hospital Escola, constituíram a Associação Maranhense da Alegria, uma entidade sem fins lucrativos que buscou parcerias para o atendimento destes pacientes.

Sua concepção foi devida à demanda de pacientes carentes que não conseguiam realizar seus tratamentos, ou os realizavam parcialmente, nos centros de referência existentes, mas com acesso limitado, devido à necessidade de transporte aéreo, nem sempre custeado pelo setor público.

As parcerias foram sendo consolidadas com a Faculdade de Imperatriz, a Associação Brasileira de Odontologia, a Secretaria Municipal de Saúde e a Smile Train (Associação Americana que dá suporte a serviços semelhantes em todo o mundo).

Uniram-se profissionais voluntários ou custeados pelos parceiros, além de vários estagiários de Odontologia, que prestaram atendimento durante estes seis  anos nas dependências do Hospital Municipal de Imperatriz, do Hospital Escola e da ABO Imperatriz.
Mas faltava um espaço exclusivo para este atendimento. Por isso, uniram-se esforços e foi criado o Centrinho Imperatriz.


Estima-se que apenas metade das crianças que nascem com este problema no Brasil consiga realizar os procedimentos cirúrgicos iniciais.