6/15/2017

Santa Tereza e Riacho do Meio são os mais poluídos da cidade, mas ainda têm jeito, garante cientista

Jorge Diniz foi o palestrante do  I Seminário das  Águas realizado ontem na Câmara Municipal pelo Grupo Força Tarefa Rio Tocantins


 “Precisamos entender que não fomos criados para viver essa relação predatória com o meio ambiente” Jorge Diniz

De todos os riachos que cortam a cidade de Imperatriz , e que desaguam no Rio Tocantins, os  que estão em pior situação são o Santa Tereza e o Riacho do Meio,  informou o professor e doutor em química  Jorge Diniz (UEMASUL)  durante palestra realizada ontem, 14,  numa sessão de audiência pública na Câmara Municipal  provocada pelo Grupo Força Tarefa Rio Tocantins. 

O Grupo Força Tarefa decidiu começar pela Câmara Municipal  uma sequência de seminários  sobre a  “qualidade das  nossas águas” por entender ser aquela casa uma das principais caixas de ressonância dos problemas da cidade,  e  a qualidade das  nossas águas é um que se agrava a  cada dia, conforme atestou   em sua palestra o professor Diniz. O trabalho apresentado ontem pelo cientista é o resultado de  dois anos e meio de pesquisas.

O professor  discorreu sobre o tema ““Qualidade das águas:  efluentes urbanos tóxicos, medidas preventivas e/ou (re) equilibradoras, ribeiras, usos e vegetação, filtros, fossas , entre outros assuntos que o tempo permitir. Um pouco antes, na abertura das atividades o veterano ambientalista José Geraldo da Costa  falou sobre a origem e a formação das águas, tema que também chamou bastante a atenção.

Procurando ser o mais didático possível, até  pelo fato da pesquisa guardar termos considerados não usuais pela população como PH, turbidez entre outros, Jorge Diniz revelou que não é difícil de entender o porquê de  o Santa Tereza e o  Riacho do Meio serem  hoje os mais impactado com a recepção da maior quantidade de cargas poluidoras. Esses dois veios de água passam pelos  maiores conglomerados habitacionais da cidade e grande parte da população os utilizam como depositários de seus resíduos. Além do mais foram os que mais sofreram com o desmatamento de suas margens.

Numa outra situação, ao contrário do que se imaginava,  pelas coletas e análises realizadas o Cacau e o Bacuri e Capivara são os que ainda estão em melhor situação  Não é que suas águas  sejam própria para o consumo ou banho mas em outras palavras são menos poluídas  e possuem as margens mais preservadas em relação aos demais. “ Isso ocorre  porque eles ainda conseguem resistir e metabolizar, principalmente o Cacau e o Capivara,  grande  a quantidade de rejeitos que recebem.  Agora, até quando vão suportar,   eu não sei ” alertou o  professor.

Na sua fala Jorge Diniz   deixou claro que não se pode pensar na  preservação do Rio Tocantins  sem antes se  cuidar da preservação dos seus afluentes e    um primeiro passo, disse ele, seria deixar de utilizá-los  com o depositários de seus efluentes domésticos. “Hoje, como se sabe,  tudo isso desce sem qualquer tipo de tratamento para  os riachos depois para o rio. Se a cidade apenas evitasse que seus efluentes caíssem nos riachos já teríamos um grande ganho”    comentou

Os efluentes ou esgoto sanitário são os dejetos provenientes das diversas modalidades de uso da água em qualquer edificação que tenha banheiro, cozinha,  ou lavanderia.

Ao conversar com alguns jornalistas, logo após a palestra, Jorge Diniz destacou que nem tudo está perdido.  Suas pesquisas apontam que ainda há tempo de se reverter  essa situação. Para isso é necessário que haja, a princípio a conscientização e preocupação de tratar esses efluentes que caem nos afluentes do Tocantins, que se reflorestem suas margens e  que se combata o processo de erosão enfim, “precisamos tratar o rio como deve ser tratado pela sua importância, não só para o Maranhão, mas para a humanidade”

O cientista encerrou  observando  que  na atual conjuntura  não basta a identificação do problema. É necessário  que , principalmente a sociedade civil,  se mobilize  para conscientizar,  fiscalizar ,  denunciar e cobrar de quem for de direito soluções para essa problemática.  “O encontro de hoje pode ser o primeiro passo.  Precisamos entender que não fomos criados para viver essa relação predatória com o meio ambiente” concluiu.

O Seminário




Os trabalhos do Primeiro Seminário das Águas  foram presididos pela Comissão de Planejamento, uso, ocupação, parcelamento do solo e meio ambiente que tem como o presidente o vereador Alberto Souza, como vice-presidente Ditola  Castro e membros os vereadores Carlos Hermes, Aurélio e Rildo Amaral, Ademar Jr  e Zesiel Ribeiro, que tiveram ativa participação.  Prestigiaram ainda o evento o presidente da Câmara José  Carlos Soares,  e os vereadores Bebe Taxista, Pimentel, Irmã Telma, Maura Barroso,  Paulinho Lobão,  Chiquinho da Diferro, Fábio Hernandes, Pedro Gomes e Hamilton Miranda.

A audiência contou com representantes da Marinha ( capitão-tenente Alves) , Exército ( tenente-coronel Furtado) e Corpo de Bombeiros (Jair Ferreira)  Ibama (Marcos Miranda)  Prefeitura de Imperatriz (Rosa Arruda)  Caema,  (Rafael Heringer) e líderes de associações e estudantis. O Estado do Tocantins  também se fez representar por meio de Irene Vasconcelos,  secretária do Meio Ambiente do município de São Miguel.

Na semana que vem, o Grupo Força Tarefa Rio Tocantins reúne-se para avaliar o primeiro seminário e preparar o segundo  dos três painéis previstos pelo colegiado  do grupo. A ideia é levar a discursão para ambientes como faculdades, associações, clubes de serviço, empresas “enfim, queremos envolver toda a sociedade ao redor de um tema que é de interesse de todos”  ressalta a professora Ivetilde Delgado,  da organização do evento (Elson Araújo)