7/19/2017

Rio Tocantins volta a secar e tema domina redes sociais


O Rio Tocantins, que voltou a ficar  abaixo do seu nível normal para essa época do ano,  foi disparado o tema dominante ontem nas “redes sociais”  em Imperatriz,  principalmente nos grupos de WhatsApp.

 Ainda pela manhã o superintendente da Defesa Civil do município Chico do Planalto anunciava que  o rio estava há dois metros e 52  centímetros abaixo do normal e que começava a prejudicar a navegação. Depois disso vieram a publicação de dezenas de  fotografias  que confirmaram a informação da Defesa Civil.  As fotografias mais chocantes vieram do município de Tocantinópolis, onde seria possível em alguns trechos chegar a pé até o meio do rio.

A situação do rio  revelada ontem é igual à do mesmo período  do ano passado quando o Maranhão se assustou a baixa repentina do nível do rio, algo que segundo um pescador aposentado, ele não via desde a década de 1970.  O rio baixou tanto ano passado que um ribeirinho conseguiu chegar a cavalo até a “Prainha do Meio”

No grupo “Amigos Políticos” onde estão dezenas de formadores de opinião, como  políticos ( com e sem mandato), secretários, municipais e estaduais, jornalistas, blogueiros, estudantes e profissionais liberais foi  onde os debates mais se prologaram com a  exposição das “teses e antíteses” sobre as causas da seca do rio.

Grande parte dos debatedores apontaram as hidrelétricas como as causadoras dessa  que é considerada “uma tragédia ambiental”.  “Em nome de Jesus essa hidrelétrica, com apoio da população e do Ministério Público Federal vai sair da região” disparou o secretário  municipal de Planejamento Urbano Fidelis Uchôa. “ Essa hidrelétrica { Estreito}  causou um grande impacto ambiental. Só trouxe prejuizos” reforçou o blogueiro Jhivago Sales.

O superintendente da Defesa Civil discordou na hora dos dois. Para ele  a seca é provocada pela falta de chuva  na cabeceira do rio fato que, segundo ele,  obrigou a hidrelétrica de Serra da Mesa a operar   com uma vazão de 400 metros cúbicos por segundo. Lajeado  que normalmente opera com 16 mil metros, está com cinco mil, enquanto Estreito não alcança os 3, 5 mil metros por segundo, diferente dos usuais 12 mil.
“Com a falta de chuva o rio sempre se entendeu.  A verdade é que a hidrelétrica  está matando o rio”  replicou o blogueiro Jhivago Sales.

“Não creio que isso seja um fenômeno da natureza. O rio estava cheio até pouco tempo. Para secar desse jeito seria necessária todos os dias uma temperatura de 40 graus” teorizou o debatedor Willamy Figueira.

“Acredito que a maior causa dessa fenômeno é o assoreamento e o mau uso das cabeceiras opinou o empresário Alair Chaves de Miranda, que defendeu a aplicação da legislação  protetiva que já existe sobre o tema.

Já a juíza aposentada Maria das Graças Sousa, acredita que a seca  é provocada , além da morte dos afluentes, pela destruição do bioma cerrado  que abriga grande parte das nascentes dos afluentes do Rio Tocantins.

Outras opiniões se sucederam. “Pode não ser um fator determinante, mas contribui assim como a morte dos afluentes pela poluição ou represamento criminoso, o assoreamento, a devastação da vegetação ciliar, tudo soma”  disse  um   debatedor.  Outro arrematou: “Estão esquecendo do esgoto in natura , fora os riachos que também foram transformados em  canais de esgoto” ressaltou um outro.

Há poucos dias o grupo Força Tarefa Rio Tocantins realizou junto com a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal,  uma audiência pública na qual foi  mostrado um estudo sobre a atual situação dos riachos que cortam a cidade e desagua no Tocantins. Apresentado pelo químico e professor da UEMASUL Jorge Diniz,  o estudo mostra que  dois ( Santa Tereza e do Meio)  já  estão praticamente mortos e os outros no mesmo caminho.   No estudo o professor aponta possíveis soluções que  necessitariam de uma intervenção forte do poder público na três esferas.

Num ponto todos convergiram: a necessidade de todos se unirem para evitar a morte o rio seja com ações preventivas ou repressivas. Nesse sentido os empresários Ivanildo Tavares (Start Mídia) e Richardson Lima ( Gráfica Center) se colocaram a disposição com suas estruturas para apoiar as iniciativas para a preservação do rio.