11/02/2015

A MORTE NÃO PEDE PASSAGEM


A morte é um mistério que assusta. Talvez por isso  ao redor dela, e em função dela a história do homem  mostre,  muito  antes do advento do cristianismo,  o surgimento de inúmeras religiões, crenças, e mitos como os deuses domésticos,  conforme  relatado em a Cidade Antiga, do historiador  Fustel de Coulanges.  O patriarca que morria era elevado á condição de deus protetor do grupo ao qual pertencia.


Havia um verdadeiro culto ou reverência aos mortos, algo tão forte que  invadiu os séculos e influenciou até a Igreja Católica;  tanto que desde  o século V dedica  um dia do ano para se rezar por todos os mortos. Em tempos de hoje, o  dois de Novembro.


Morte, um mistério que acompanha a história do homem sobre a Terra, mas quem sabe uma hora dessas um ser iluminado  surpreenda o mundo e   apareça nas praças e templos; no rádio,  TV, nas   redes sociais e  revele a verdade sobre a origem humana. De onde verdadeiramente viemos, o que aqui fazemos e para aonde vamos depois.  Será que somos apenas filhos dos nossos pais?


O que há por trás da essência que nos faz andar, falar, pensar, raciocinar, sentir amor, raiva,  e por vezes até  nos inclinar  para o bem ou para o mal?


Não!  Não acredito que sejamos apenas uma junção de células e músculos com capacidade de ir, de um lugar a outro.  Há um mistério entre o que aprendemos a chamar de carne, e o espirito, essa força invisível que  sustenta e movimenta  nossa pesada massa corporal.


A conjugação do corpo e da alma nos faz humanos. Uma energia depende da outra para sua concretude na Terra. Alma e corpo são irmãos, embora se acredite que a alma seja mais importante do que o corpo. O corpo apodrece, fenece, a alma é imortal é livre para viajar por mundos desconhecidos da nossa forma humana, ou mesmo, como diversas crenças, para habitar e dar vida a outras vidas, dar vida a outros corpos.


Somos um invólucro sagrado, ou o templo, dessa poderosa força capaz de operar prodígios à luz de nós, gentes. Pena que esse “avatar” ou invólucro, tenha prazo de validade, e isso nos assusta justamente pela incerteza do que virá depois.


 A chegada do fim da massa corporal começa a contar a partir do nossa concepção. O bom mesmo seria se ambos, corpo e alma, não se abandonassem jamais, assim, teríamos todo o tempo do mundo para concretizar nossos sonhos e projetos aqui mesmo na nossa  mãe Terra. Mas não é assim.  Uma hora o fim, que preferia chamar de outro recomeço, chega.


O tempo passa e fielmente  cumpre sua missão.  Vem o vento, a chuva, o sol, as  emoções não resolvidas  que castigam  os corpos da Terra. Sangue, fibras e músculos vão aos poucos sucumbindo. Só nos resta viver as vidas que nos restam e pelo menos justificar nossa presença por aqui até a transformação do nosso corpo em pó.


A alma, o espirito, a força motriz que nos movimenta e nos faz gentes, para alguns, continuará com sua saga pelo desconhecido em busca de novos corpos, novas vidas; para outros,  aguardará adormecida  a chegada do juízo final. (Elson Araújo)