2/02/2017

O abandono, “a revolta cidadã” e o Maranhão do Sul


(Em memória de Ulisses Braga)

Élson Araújo

Historicamente a Costa sempre esteve “de costas” para o interior. O sentimento de abandono da parte interna do Maranhão "é sentido" há mais de cinco séculos. Ao longo dos anos o sul e sudoeste do Estado têm sido uma voz ativa desse sentimento tanto, que tal inquietação, há duzentos anos, fez com que se pensasse na criação da “República dos Pastos Bons” que conforme a história dessa região, chegou a ter até manifesto.

Foi, a partir desse movimento, que houve a semeadura de uma divisão do Maranhão com o surgimento de um novo Estado, sonhado e anos depois batizado de Maranhão do Sul.

A palavra chave para esse sentimento latente de rebeldia desse lado do Estado em relação ao poder central, em São Luís, é abandono/ desprezo.

Imperatriz e a região sempre tiveram menos do que mereciam. Se não fosse o trabalho pioneiro dos bravos de várias partes do Brasil e do mundo que acreditaram na força dessa terra, a região não seria o que é hoje: um grande centro de prestação de serviço, polo guseiro, educacional e agropecuário e que hoje atrai investidores dos mais diversos ramos de negócios que enchem de esperança o povo da nossa terra.

O mais importante  em torno desse conceito secular  de abandono, sendo para alguns uma  utopia é a esperança de um dia esse quadro seja  posto a termo com a criação de  um novo ente federativo: O  Estado do Maranhão do Sul.

O tema volta à lume com o debate em  torno da criação da  Associação Pelo Desenvolvimento da Região Tocantina e do Maranhão do Sul, entidade integrada  por jornalistas, professores, profissionais liberais e  líderes classistas  motivados pelo ideal de emancipação dessa banda desprezada do Estado, luta que , conforme assinala o jornalista Josué Moura, doravante será sem trégua..

O movimento ressurge não por acaso, mas no ano  em que se comemora os 22 anos da “Revolução de Janeiro”  como ficou conhecido um dos mais importantes  e relevantes momentos históricos da cidade quando a sociedade civil,  partidos, lideranças políticas diante do caos   que se estabeleceu na administração municipal logo após o assassinato do então prefeito Renato Moreira  ocuparam as ruas, órgãos públicos, incluindo a sede da Prefeitura   e ali permaneceram  até a formalização do processo de intervenção  fundamental naquele momento para restabelecer os rumos da cidade.

O movimento recebeu do advogado e escritor  Ulisses Braga, o epiteto de Revolução de Janeiro, a Revolta Cidadã.  Idealista, o experiente advogado, sonhava que a partir daquele instante os mesmo atores do “levante” reerguessem a bandeira da criação do Maranhão do Sul. Tal desejo ele deixou explicito numa de suas principais obras:  Carta Urgente- “Da revolta cidadã” à utopia Brasil, escrita cinco anos depois do movimento, ao conclamar:

- Esperamos que principalmente com eles venha a ser emancipado o Maranhão do Sul, que todos queremos que seja um Estado cidadão-  

O sonho de Ulisses, o sonho da “Republica de Pastos Bons” vive, e como vive.