3/11/2014

A melhor homenagem. (artigo publicado sábado em O Progresso)

Estamos repletos de datas comemorativas. Temos o Carnaval, o Natal, a Sexta-feira Santa, o dia de todos os santos, etc. Mês a mês, temos sempre uma data para comemorar, umas são mais famosas do que outras e comemoradas de modos distintos. 

Hoje é um dia famoso e cheio de homenagens. O Dia Internacional da Mulher. Numa data como a de hoje em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, em Nova Iorque (EUA) promoviam uma grande greve por melhores condições de trabalho sendo, naquela ocasião, o movimento reprimido com muita violência. Foram trancadas dentro da fabrica onde trabalhavam e queimadas. 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, num evento na Dinamarca, ao se relembrar o caso de Nova Iorque, consagrou-se o Oito de Março como o Dia Internacional da Mulher em homenagem às mulheres que morreram queimadas por simplesmente lutarem por melhores condições de trabalho.

Merece respeito e admiração a luta da mulher por igualdade de gênero, mercado de trabalho, espaço político, respeito, e contra a discriminação e já se vão muitos avanços. Em se tratando de Brasil, mulher nem direito a voto tinha. Hoje ocupa postos máximos de comando politico e corporativo. Já tivemos uma mulher no comando do Supremo Tribunal Federal (STF) a mais alta corte da justiça pátria, e hoje uma delas governa o Brasil. Ainda falta uma mulher na presidência da Câmara ou do Senado, mas é só uma questão de tempo. 

Executivo e Judiciário hoje no Maranhão têm mulheres no comando. No âmbito municipal o que não faltam são elas em postos gerenciais, sendo ainda o município pioneiro na Criação de uma Secretaria de Políticas Públicas para mulheres. Exemplos não faltam aqui na cidade, no Estado e no mundo afora.

A data tem um tom profundamente reflexivo, no entanto, com o passar dos anos ganhou aspecto mais comemorativo, o que fez surgir uma substancial mudança de foco. Uns certamente vão comemorar com flores, presente, café da manhã na cama, uma ida ao motel ou mesmo uma viagem; outros vão seguir o rito inicial o de  tirar o dia para refletir, celebrar conquistas e defender novas bandeiras. 

“Pelo que representamos hoje na sociedade deveríamos ser homenageadas todos os dias. Não só com presentes, mas com respeito e mais companheirismo”, disse-me ontem à tarde uma amiga numa alusão à sua jornada diária plural de mãe, esposa, dona de casa e mulher de negócio.

 “A melhor maneira de vocês, homens, nos homenagearem é serem mais presentes e dividir conosco o peso dessa jornada que, ainda executamos de salto alto”, completou a bem humorada amiga. 

Por coincidência ouvi, com palavras diferentes, a mesma observação de quase todas as mulheres que conversei na tarde de ontem.

Uma colega de trabalho ao comentar sobre o tema  radicalizou: disse que a mulher, seja esposa, filha, irmã ou amiga “não é escrava do sexo masculino e não veio ao mundo somente para servir”. “Assim como meu pai e meu esposo, trabalho fora, ajudo igualmente nas despesas, estudo, e ainda cuido da casa e de educação dos filhos sozinha”.

A quantidade de depoimentos foi pequena para uma conclusão mais abalizada sobre o assunto,  contudo das conversas mantidas com elas  extraí pelo menos uma dica  importante pra nós homens: refletir é bom, comemorar conquistas e dar presentes, ótimo; levantar  novas bandeiras  melhor ainda, no entanto  estar ali bem perto delas, e com elas  dividir  o peso da  grande jornada, trará às comemorações um novo sabor.


Parabéns, mulheres de Imperatriz, do Brasil e do mundo.