O paradoxo
Havia
um lugar onde mulheres iam para dar à luz.
E
muitas saíam de lá dentro de um caixão.
Era
a Viena do século XIX.
A
medicina havia avançado.
Os
hospitais eram centros de ensino.
Os
médicos estudavam anatomia.
Autópsias
eram realizadas.
O
corpo humano começava a ser compreendido como nunca antes.
Mas
havia um paradoxo terrível:
quanto
mais a medicina aprendia sobre o corpo, mais algumas mulheres pareciam morrer
justamente sob os cuidados daqueles que deveriam salvá-las.
A
doença era conhecida como febre puerperal.
E
ninguém sabia exatamente por quê.
A
morte depois do nascimento
A febre puerperal, também
chamada febre do parto ou febre puerperal podia atingir mulheres poucos dias
depois de darem à luz.
A evolução
frequentemente era rápida.
Febre.
Dor.
Infecção generalizada.
Morte.
Em algumas
instituições, a mortalidade alcançava níveis assustadores.
No Hospital Geral de
Viena, duas clínicas obstétricas apresentavam uma diferença que intrigava
qualquer pessoa disposta a olhar para os números.
Na chamada Primeira
Clínica, atendida por médicos e estudantes de medicina, a mortalidade era muito
maior.
Na Segunda, onde
atuavam principalmente parteiras, era consideravelmente menor.
A pergunta parecia
inevitável:
por que mulheres
atendidas por médicos morriam mais?
O homem que decidiu olhar para os
números
Ignaz Semmelweis era
húngaro.
Nascido em 1818,
formou-se em medicina em Viena e, em 1846, tornou-se assistente na Primeira
Clínica Obstétrica do Hospital Geral de Viena.
Ele não começou com uma
grande teoria.
Começou com uma
diferença.
Os números estavam
diante dele.
E os números contavam
uma história que a medicina ainda não queria ouvir.
Entre 1841 e 1846, a
mortalidade média na Primeira Clínica foi muito superior à da Segunda.
Não era uma diferença
pequena.
Era uma diferença
persistente.
E, para Semmelweis,
diferenças persistentes exigiam explicação.
Duas
clínicas, um mistério
As duas clínicas
atendiam mulheres em trabalho de parto.
Mas havia uma diferença
decisiva.
Na Primeira Clínica,
médicos e estudantes participavam das autópsias realizadas no hospital.
Na Segunda, as mulheres
eram atendidas por parteiras, que não participavam daquela rotina de autópsias.
A diferença começou a
parecer significativa.
Mas ainda faltava a
explicação.
Semmelweis precisava
descobrir o que acompanhava os médicos de um lugar para outro.
E então aconteceu algo
que mudaria sua vida.
A
morte de um amigo
Em 1847, Jakob Kolletschka, professor de
anatomia e colega de Semmelweis, sofreu um ferimento acidental durante uma
autópsia.
Pouco depois, morreu de uma doença que
apresentava semelhanças impressionantes com aquilo que Semmelweis observava nas
mulheres que morriam após o parto.
A coincidência foi devastadora.
Semmelweis percebeu uma possibilidade:
talvez a mesma matéria que provocava a
doença nos cadáveres estivesse chegando às mulheres pelas mãos daqueles que
realizavam as autópsias.
Era uma hipótese extraordinária.
E, para a medicina daquele tempo,
desconfortável.
A
morte podia viajar nas mãos
Hoje, a ideia parece
quase banal.
Mas naquele momento não
era.
Médicos não trabalhavam
dentro da lógica moderna de controle de infecção.
Não havia conhecimento
consolidado sobre bactérias e transmissão microbiana.
A teoria dos germes
ainda não havia se estabelecido.
Semmelweis falava em
partículas cadavéricas ou matéria orgânica em decomposição.
Ele não sabia
exatamente o que carregava aquelas mãos.
Mas percebeu algo
fundamental:
as mãos podiam
transportar a doença.
E essa percepção foi
suficiente para mudar o destino de milhares de mulheres.
A
experiência
Semmelweis decidiu testar sua hipótese.
Determinou que médicos e estudantes deveriam
lavar cuidadosamente as mãos com uma solução de cloreto de cal antes de
examinar as pacientes.
Não era simplesmente uma lavagem simbólica.
A substância deveria remover também o odor
associado ao material das autópsias.
A medida começou a ser aplicada em maio de
1847.
E então aconteceu algo extraordinário.
A mortalidade caiu.
Na Primeira Clínica, onde a doença havia sido
devastadora, os números despencaram após a introdução da lavagem das mãos.
A hipótese começava a encontrar confirmação nos
fatos.
A
prova estava diante de todos
Em 1847, a mortalidade
da Primeira Clínica chegou a aproximadamente 18%.
No ano seguinte, depois
da implementação da lavagem com cloreto, caiu para pouco mais de 1% em uma das
séries históricas mais citadas.
Outras reconstruções
estatísticas apresentam valores diferentes conforme o período e o denominador
utilizado, mas convergem em um ponto fundamental:
a queda foi
extraordinária após a introdução da lavagem das mãos.
Não era uma impressão.
Não era uma
superstição.
Não era uma intuição.
Era um padrão observado
nos números.
A pergunta que deveria ter encerrado a
discussão
Talvez Semmelweis tenha
imaginado que, depois daquele resultado, a medicina aceitaria sua descoberta.
Afinal:
mulheres estavam
morrendo;
ele identificara uma
diferença;
introduzira uma
intervenção;
as mortes despencaram.
O que mais seria
necessário?
Mas a história da
ciência raramente é tão simples.
Uma descoberta pode
estar correta e, ainda assim, encontrar resistência.
Porque aceitar uma nova
explicação significa muitas vezes admitir que a antiga estava errada.
E admitir isso pode ser
doloroso.
Principalmente quando a
antiga explicação envolve a própria profissão.
O
médico como parte do problema
A ideia de Semmelweis
tinha uma consequência moral difícil.
Se ele estivesse certo,
os próprios médicos poderiam estar contribuindo para a morte das pacientes.
Não por maldade.
Não por negligência
deliberada.
Mas porque levavam
consigo aquilo que não sabiam que transportavam.
Era uma acusação
involuntária.
E talvez por isso tão
difícil de aceitar.
O homem que entrava na
enfermaria para salvar uma mulher poderia estar carregando a morte nas mãos.
A
medicina não gostou do espelho
Existe algo
profundamente humano nisso.
É mais fácil aceitar
que uma doença venha de fora.
É mais difícil admitir
que possa estar sendo levada por nós.
Semmelweis colocava um
espelho diante da medicina.
E o reflexo não era
confortável.
A pergunta deixava de
ser:
“O que está matando
essas mulheres?”
E passava a ser:
“E se nós estivermos
levando aquilo que as mata?”
A
resistência
A história popular costuma transformar
Semmelweis em um gênio isolado, ridicularizado por todos até morrer.
A realidade foi mais complexa.
Houve resistência às suas conclusões,
dificuldades institucionais e controvérsias científicas.
Seu estilo de argumentação também contribuiu
para seus conflitos profissionais.
Além disso, seus contemporâneos ainda não
possuíam uma teoria microbiológica capaz de explicar completamente o mecanismo
que ele observava.
Sua evidência era poderosa, mas a explicação
causal ainda não estava formulada nos termos que a medicina utilizaria
posteriormente.
Isso torna sua história ainda mais
interessante.
Ele tinha encontrado um efeito antes de
compreender completamente o mecanismo.
Descobrir não é o mesmo que explicar
Essa distinção merece
atenção.
Semmelweis percebeu que
a lavagem das mãos reduzia as mortes.
Mas não conhecia as
bactérias específicas envolvidas.
Não sabia como
funcionavam os agentes infecciosos.
Não possuía microbiologia
moderna.
Seu trabalho antecedeu
as grandes contribuições de Pasteur e outros pesquisadores para a teoria
microbiana.
Isso não diminui sua
descoberta.
Ao contrário.
Mostra que a ciência
muitas vezes avança assim:
primeiro encontramos o
fenômeno; depois compreendemos o mecanismo.
A ciência começa quando alguém pergunta
“por quê?”
Semmelweis poderia ter
aceitado a diferença entre as duas clínicas.
Poderia ter dito:
“É assim mesmo.”
Mas não aceitou.
Perguntou:
por quê?
Essa pequena palavra é
uma das maiores forças da ciência.
Por que aqui morrem
mais?
Por que ali morrem
menos?
Por que depois da
lavagem os números mudaram?
Por que uma determinada
prática coincide com determinado resultado?
A ciência começa muitas
vezes não com uma resposta.
Começa com uma pergunta
que alguém se recusa a abandonar.
O
experimento involuntário
Existe uma característica
particularmente interessante no trabalho de Semmelweis.
As duas clínicas funcionavam quase como
uma comparação natural.
Mulheres eram distribuídas entre elas em
dias alternados.
A diferença de mortalidade permitia
comparar os resultados.
Quando a lavagem das mãos foi
introduzida na Primeira Clínica, os números mudaram drasticamente.
Pesquisadores posteriores analisaram
estatisticamente os dados históricos e encontraram forte sustentação para a
hipótese de Semmelweis.
Sem conhecer os métodos epidemiológicos
modernos, ele estava fazendo algo que hoje reconhecemos como investigação
epidemiológica.
Uma
revolução que cabia numa pia
É difícil imaginar uma
revolução mais humilde.
Não era uma máquina.
Não era uma cirurgia.
Não era um medicamento
sofisticado.
Não era uma descoberta
anatômica espetacular.
Era água.
Era uma solução
química.
E eram mãos.
Mas, por trás daquele
gesto aparentemente banal, havia uma mudança monumental:
a medicina começava a
perceber que suas próprias práticas podiam transmitir doenças.
O
corpo invisível
Semmelweis estava diante de um inimigo que não
podia ver.
Não havia microscópio mostrando claramente o
agente responsável.
Não havia cultura bacteriana.
Não havia identificação molecular.
Havia apenas uma cadeia de acontecimentos.
Autópsia.
Mãos contaminadas.
Exame.
Doença.
Morte.
Lavagem.
Queda da mortalidade.
Era uma história escrita nos números.
E Semmelweis aprendeu a lê-la.
O
problema do desconhecido
A medicina do século XIX ainda convivia
com inúmeras teorias sobre as causas das doenças.
Miasmas.
Condições ambientais.
Desequilíbrios.
Influências atmosféricas.
Outras hipóteses.
O modelo microbiano ainda estava em
construção.
Por isso, a explicação de Semmelweis
encontrava dificuldades.
Ele havia encontrado uma associação
poderosa e uma intervenção eficaz.
Mas o vocabulário científico necessário
para explicar completamente aquilo ainda estava nascendo.
A descoberta que chegou cedo demais
Talvez essa seja a
melhor maneira de compreender Semmelweis.
Ele chegou cedo.
Muito cedo.
A medicina ainda não
possuía todas as ferramentas conceituais para acolher plenamente aquilo que os
dados mostravam.
E existe uma espécie de
tragédia nas descobertas que chegam antes de seu tempo.
O descobridor enxerga.
Os outros ainda não
conseguem ver.
O
preço de estar certo
Semmelweis deixou Viena em 1850 e voltou
para a Hungria, onde continuou trabalhando e obteve resultados importantes na
prevenção da febre puerperal.
Em 1860 publicou sua obra sobre a
etiologia, o conceito e a profilaxia da febre puerperal.
Mas sua aceitação ampla não ocorreu em
vida.
Sua história pessoal tornou-se cada vez
mais difícil.
E sua reputação sofreu com conflitos
profissionais e pessoais.
Morreu em 1865.
Tinha apenas 47 anos.
Depois dele vieram as explicações
A história não terminou com Semmelweis.
Décadas depois, a teoria microbiana da
doença ganharia bases cada vez mais sólidas.
Louis Pasteur demonstraria o papel dos
microrganismos em processos biológicos e infecciosos.
Joseph Lister desenvolveria métodos antissépticos
na cirurgia.
A medicina começaria finalmente a
construir o edifício científico capaz de explicar aquilo que Semmelweis havia
percebido empiricamente.
A descoberta dele encontraria, enfim,
uma linguagem científica mais ampla.
Quando a hipótese encontrou a ciência
É importante não
transformar Semmelweis em um homem que “sabia tudo” antes de todos.
Ele não sabia.
E não precisava saber.
Sua contribuição estava
em outra parte.
Ele percebeu uma
relação.
Testou uma intervenção.
Observou o resultado.
E insistiu que os
números fossem levados a sério.
A ciência posterior
forneceria novas explicações.
Semmelweis abriu uma
porta que outros atravessariam.
A
mão que salva
Há
uma ironia quase literária nessa história.
A
mesma mão que poderia carregar a doença passou a ser o instrumento de
prevenção.
A
mão do médico, antes vista apenas como instrumento do cuidado, passou a ser
reconhecida também como possível veículo de transmissão.
E
essa percepção transformaria a medicina.
A
higiene das mãos se tornaria, com o tempo, um dos pilares da prevenção de
infecções. A própria Organização Mundial da Saúde reconhece Semmelweis como um
dos pioneiros históricos na compreensão da transmissão de doenças pelas mãos
dos profissionais de saúde.
O
Direito também pode aprender
Por que essa história
está em um espaço dedicado ao Direito e à condição humana?
Porque existe uma
questão jurídica escondida dentro dela.
Quem responde quando
uma prática aceita como correta produz dano?
O médico acreditava
estar fazendo o certo.
A instituição
acreditava estar ensinando medicina.
Os estudantes
acreditavam estar aprendendo.
Ninguém precisava
desejar o mal.
E, ainda assim,
mulheres morriam.
Essa é uma das questões
mais difíceis da responsabilidade:
o dano pode existir
mesmo quando não existe intenção de causar dano.
A autoridade não substitui a evidência
Semmelweis enfrentou
algo que aparece em muitas áreas da vida:
“Fazemos assim porque
sempre fizemos.”
Essa frase parece
inofensiva.
Pode ser perigosa.
Uma prática não se
torna verdadeira porque é antiga.
Uma teoria não se torna
correta porque é ensinada por pessoas respeitadas.
Uma instituição não se
torna infalível porque possui autoridade.
A realidade
precisa ser consultada
A medicina diante do próprio erro
Talvez a maior lição de
Semmelweis esteja justamente aqui.
A medicina não avançou
porque nunca errou.
Avançou porque algumas
pessoas perceberam os erros.
A ciência não é
poderosa porque seus praticantes são infalíveis.
É poderosa porque
possui mecanismos para confrontar suas próprias certezas.
Semmelweis mostrou isso
de maneira dolorosa.
O
olhar do Direito
Para o jurista, existe uma pergunta inevitável:
quantas práticas consideradas normais
hoje poderão parecer absurdas amanhã?
É por isso que o Direito precisa dialogar com a
ciência.
Quando uma norma envolve saúde, segurança,
tecnologia ou conhecimento técnico, o legislador e o julgador não podem ignorar
a evidência disponível.
A lei pode estabelecer regras.
Mas não pode alterar a realidade científica.
O
olhar da Ciência
Para a ciência, Semmelweis deixa uma lição
ainda mais profunda:
não espere compreender tudo para
investigar aquilo que os dados já estão mostrando.
Ele não conhecia os microrganismos.
Mas conhecia os números.
Não sabia exatamente qual agente causava a
doença.
Mas percebeu que a intervenção reduzia as
mortes.
Não possuía a explicação completa.
Mas possuía uma pergunta correta.
O
olhar da condição humana
Existe ainda algo
maior.
Semmelweis não estava
tentando salvar estatísticas.
Estava tentando salvar
mulheres.
Cada número
representava uma pessoa.
Uma mãe.
Uma família.
Uma criança que poderia
crescer sem a mãe.
Essa é uma distinção
que nunca deveria ser perdida.
Quando a ciência transforma
vidas em números, os números podem parecer abstratos.
Mas, às vezes, são
justamente os números que revelam uma tragédia que nossos olhos não conseguem
perceber.
A
pergunta que ficou
Semmelweis morreu antes de assistir à plena aceitação de
sua ideia.
Mas sua pergunta sobreviveu.
E ela pode ser formulada de maneira simples:
e se estivermos fazendo alguma coisa errada simplesmente
porque ninguém ainda percebeu?
É uma pergunta incômoda.
Mas talvez seja uma das perguntas mais importantes que uma
sociedade pode fazer.
O
homem que desafiou a medicina
Semmelweis não
enfrentou um tribunal.
Não recebeu uma
sentença judicial.
Não foi condenado por
uma corte.
Seu julgamento
aconteceu em outro lugar:
na comunidade
científica de seu tempo.
Foi julgado por seus
colegas.
Por sua personalidade.
Por suas conclusões.
Por suas formas de
argumentar.
Por desafiar práticas
estabelecidas.
E o veredicto inicial
foi de desconfiança.
A História, porém,
reabriu o processo.
O
segundo julgamento
Existe uma espécie de tribunal que não
possui juiz, toga ou sentença.
É o tribunal do tempo.
Ele não aceita argumentos de autoridade.
Não se impressiona com títulos.
Não respeita tradições simplesmente
porque são antigas.
Ele pergunta apenas:
funciona?
Semmelweis perdeu seu primeiro
julgamento.
Mas ganhou o segundo.
E o segundo foi muito maior.
Legado
para a humanidade
Hoje, lavar as mãos
antes de cuidar de um paciente parece uma atitude elementar.
Quase banal.
Mas a banalidade é
justamente o sinal de que uma revolução venceu.
Aquilo que um dia
pareceu estranho tornou-se rotina.
Aquilo que um dia foi
rejeitado tornou-se protocolo.
Aquilo que um dia
exigiu coragem tornou-se obrigação profissional.
E talvez seja esse o
destino das grandes descobertas:
deixarem de parecer
revolucionárias quando finalmente passam a fazer parte da vida cotidiana.
PARA REFLETIR
“Às vezes, a maior descoberta
da ciência não está em encontrar algo novo, mas em perceber que aquilo que
todos fazem pode estar errado.”
EPÍLOGO
Imagine aquela enfermaria de Viena.
Mulheres chegando para dar à luz.
Médicos entrando.
Estudantes aprendendo.
Autópsias acontecendo em outra sala.
E ninguém percebendo que havia uma ponte
invisível entre os dois ambientes.
Até que um homem decidiu seguir os números.
Depois, seguiu as mãos.
E finalmente seguiu a hipótese.
A morte estava sendo transportada.
Não por um monstro.
Não por uma maldição.
Não por uma força sobrenatural.
Mas por algo tão banal que ninguém desconfiava:
as mãos humanas.
Semmelweis descobriu antes que pudesse
explicar.
E talvez seja essa a beleza e também a tragédia da ciência.
Às vezes alguém enxerga primeiro.
Os outros só conseguem compreender depois.
Mas existe uma pergunta ainda mais
perturbadora.
Se uma descoberta capaz de salvar vidas pode
ser rejeitada porque desafia o conhecimento estabelecido…
quantas verdades ainda permanecem do lado de
fora da porta simplesmente porque ninguém está disposto a ouvir quem as
encontrou?
E essa pergunta nos leva ao próximo capítulo.
Porque a Medicina começaria então a entrar em
outro território.
Não mais apenas para descobrir como as
doenças matam.
Mas para compreender como a mente humana
pode enganar a própria percepção da realidade.
Elson Mesquita de Araujo
Advogado, jornalista, escritor, pesquisador
