Entrevista bombástica


A edição da revista Veja que começa a circular neste domingo em todo país trás uma entrevista explosiva de um dos decanos do PMDB, o controvertido Jarbas Vascocelos, do PMDB de Pernambuco.
Na entrevista, até agora não comentada pelos próceres do partido, o senador bate firme no seu colega de partido, José Sarney e no " modus operandis" do PMDB a quem acusa de ser um partido corrupto.
Abaixo uma parte da entrevista , também disponibilizada no site da revista
www.veja.com.br.

Entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) ao repórter Otávio Cabral:

O que representa para a política brasileira a eleição de José Sarney para a presidência do Senado?
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador.

Mas ele foi eleito pela maioria dos senadores.


Claro, e isso reflete o que pensa a maioria dos colegas de Parlamento. Para mim, não tem nenhum valor se Sarney vai melhorar a gráfica, se vai melhorar os gabinetes, se vai dar aumento aos funcionários. O que importa é que ele não vai mudar a estrutura política nem contribuir para reconstruir uma imagem positiva da Casa. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

(...) O senador Renan Calheiros acaba de assumir a liderança do PMDB...

Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

(...) Para que o PMDB quer cargos?

Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

(...) O senhor sempre foi elogiado por Lula. Foi o primeiro político a visitá-lo quando deixou a prisão, chegou a ser cotado para vice em sua chapa. O que o levou a se tornar um dos maiores opositores a seu governo no Congresso? Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Era essencial o apoio a Lula, pois ele havia se comprometido com a sociedade a promover reformas e governar com ética. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. Também não fez reforma tributária, não completou a reforma da Previdência nem a reforma trabalhista. Então eu acho que já foram seis anos perdidos. O mundo passou por uma fase áurea, de bonança, de desenvolvimento, e Lula não conseguiu tirar proveito disso.

(...) Mas esse presidente que o senhor aponta como medíocre é recordista de popularidade. Em seu estado, Pernambuco, o presidente beira os 100% de aprovação.
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo.

Comentários

  1. Foi uma das entrevistas mais contundentes que já li. Recebi a revista ontem pela manhã e até a noite procurei declarações dos "caciques" do partido do Sarney - ele incluso - e...niente. Zero. Nichts. Nada.

    Silêncio total e absoluto nas hostes peemedebistas.

    As páginas da entrevista merecem modura e lugar de destaque na parede.

    Bom domingo, sucesso sempre.

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  2. Essa foi demais. Esperava uma entrevista dessas vinda de um outro político. Jarbas me surpreendeu. Não o conhecia bem, agora sou fã dele. Lula e Sarney, farinha de um mesmo saco que é alimentado pela miséria humana que ambos tanto se vangloriam em afirmar estarem combatendo. Talvez, Lula não tenha lido a história, ou talvez ningué o avisou, pois como sempre, ele não sabe de nada. Sarney é isso aí mesmo, e por onde passa vai tentando transformar a República num imenso Maranhão.

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