10/25/2023

Professores do curso de Jornalismo da UFMA lançam e-book com estudos sobre o jornal O Progresso



Da Assessoria

Professores do curso de Jornalismo da UFMA, de Imperatriz, estão lançando um e-book que reúne doze artigos decorrentes de pesquisas acadêmicas que tiveram o Jornal o Progresso como objeto de estudos. Organizado pelos professores doutores, Marcos Fábio Belo Matos e Marco Antônio Gehlen, o e-book denominado “O papel de O Progresso: o jornal como corpus de pesquisas nas áreas de Jornalismo e Comunicação” já está disponível no site da Editora Edufma para download gratuito, mas a publicação deve ser lançada no XVII Simcom, o Simpósio de Comunicação da Região Tocantina, que ocorrerá em dezembro, na UFMA de Imperatriz.

Com 264 páginas, o livro está em seu primeiro volume e é uma organização de doze estudos das áreas de comunicação e jornalismo realizados por docentes, pesquisadores e ex-alunos dos cursos de graduação e especialização da UFMA. No total, 24 autores assinam os artigos que perpassam por temáticas como: o jornal como fonte de pesquisa, a estética e design do jornal, análises sobre a presença de homicídios no noticiário, análises da cobertura de eleições e outros eventos de Imperatriz, análises da cobertura da política, análises dos usos de releases e de materiais de assessorias, análises do suplemento infantil que circulou de 1986 a 1987, análises fotográficas de candidatos a cargos políticos, entre outros assuntos.

De acordo com os organizadores, a ideia nasceu ainda em 2019, quando decidiram fazer uma publicação que servisse, entre outras coisas, para homenagear o cinquentenário do jornal, que se daria em 2020, uma vez que o curso de Jornalismo frequentemente recorria ao impresso para pesquisas de toda ordem. “A ideia foi atropelada pela pandemia da Covid-19, que alterou nossas rotinas de vida e de trabalho. O projeto só foi retomado em 2023, com a convicção de que, mesmo já tendo perdido o timming do aniversário, ainda assim valeria a pena transformar os artigos recebidos em um e-book”, explicou o professor Marcos Fábio.

No prefácio, os autores lembram que o jornal O Progresso, que existe desde 1970, funciona como uma representação do que ocorria na região do sudoeste maranhense, num tempo em que estava em ebulição um crescimento, representado, principalmente, pela inauguração da rodovia Belém-Brasília e tudo o que chegou pelo asfalto: pessoas, ciclos econômicos, caminhões, telecomunicações, conflitos. “O epicentro desta movimentação foi a cidade de Imperatriz, sede do jornal. Fruto da junção de um gráfico e um jornalista (José Matos Vieira e Jurivê Macedo), desde o seu nascimento, O Progresso faz questão de se intitular e fazer representar como o arauto daquele momento bonançoso. E assim, com essa representatividade, cruzou as décadas e chegou até os dias de hoje – um periódico de meio século, que tem muita história para contar”, ressaltam os autores, ao destacar que parte dessa história está também representada no livro.

“Escolhemos O Progresso pela potencialidade como documento histórico e social que merece este olhar mais atento da academia”, completou Marco Gehlen. Segundo os autores, o e-book lança um olhar relevante, a partir de diversas visões epistemológicas sobre o terceiro mais antigo jornal maranhense em atividade. “Que os estudos reunidos possam circular entre estudantes, professores e pesquisadores das mais diversas áreas e demais interessados e seja encarado como um espelho a partir do qual se enxergue a sociedade de Imperatriz e região”. Os professores pretendem lançar em 2024 um segundo volume que reunirá novos estudos, já produzidos ou em desenvolvimento, sobre o jornal.

Ficha:
E- book: 
O papel de O Progresso: o jornal como corpus de pesquisas nas áreas de Jornalismo e Comunicação.
Organizadores: Marcos Fábio Belo Matos, Marco Antônio Gehlen.
ISBN (Livro Digital): 978-65-5363-292-9
Ano de publicação: 2023; 264 páginas.

Link da Editora para baixar o e-book: https://www.edufma.ufma.br/index.php/produto/o-papel-de-o-progresso/


Sobre os organizadores do E-book (fotos dos organizadores no anexo):

Marcos Fábio Belo Matos - Licenciado em Língua Portuguesa, bacharel em Comunicação Social Jornalismo, especialista em Língua Portuguesa, mestre em Comunicação e Cultura, doutor em Linguística e Língua Portuguesa e pós-doutor em Comunicação. Membro do Grupo de Pesquisa em Língua, Discurso, Mídia e Educação (Lidime), da Ufma Imperatriz. Atualmente, é professor associado III dos Cursos de Pedagogia e Jornalismo do CCIm, UFMA - Imperatriz. Autor de 34 obras, entre textos acadêmicos e literários. É membro da Academia Bacabalense de Letras (ABL), da Academia Imperatrizense de Letras (AIL) e do Instituto Histórico e Geográfico de Imperatriz (IHGI). Na gestão 2019-2023, foi Diretor de Comunicação e Vice-reitor da UFMA. E-mail: marcos.fabio@ufma.br .

Marco Antônio Gehlen - Pós-doutor em Ciência da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa, em Porto, Portugal; doutor em Comunicação pela PUCRS (2016), mestre em Agronegócios pela UFMS (2009), especialista em Comunicação Empresarial e graduado em Comunicação Social - Jornalismo. É professor adjunto e pesquisador no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus de Imperatriz (MA), desde 2009. Foi coordenador do curso na gestão 2021-2022 e gestor de Infraestrutura da UFMA em Imperatriz na gestão 2022-2023. E-mail: marco.gehlen@ufma.br .

Autores que integram os artigos:

Domingos Alves de Almeida; Francisca Daniela dos Santos Souza; Idayane da Silva Ferreira; Izani Mustafá; Nayane Cristina Rodrigues de Brito; Rhaysa Novakoski Carvalho; Larissa Pereira Santos; Denise Cristina Ayres Gomes; Dailane Silva Santana; Letícia Feitosa Barreto; Laura Glapinski Zacca; Thays Assunção Reis; Rodrigo Nascimento Reis; Antônio Carlos Santiago Freitas; Leonam Alves de Sousa Moraes; Roseane Arcanjo Pinheiro; Sara Cristina da Silva Ribeiro; Gabriela Almeida Silva; Thaísa Bueno; Marcos Fábio Belo Matos; Letícia Holanda de Sousa; Marco Antônio Gehlen; Rosana Ferreira Barros e Marcus Túlio Borowiski Lavarda.

10/20/2023

E se parar de chover ? Alterações nos Padrões de Chuva e Seca

 

É “chover no molhado” dizer que a água é essencial para a vida e que desempenha um papel fundamental em todos os aspectos do nosso planeta. Desde a água que bebemos até a água utilizada na agricultura, sua disponibilidade e distribuição desempenham um papel importante em nossas vidas. No entanto, as alterações nos padrões de chuva e seca estão ameaçando a estabilidade desse recurso vital e afetando significativamente a agricultura. Vejam o exemplo preocupante e recente na Amazônia brasileira. Como diria minha saudosa mãe, sinais dos tempos.

O dois lados da mesma moeda- Os padrões de chuva e seca são uma parte fundamental dos ecossistemas da Terra. Quando a chuva é abundante e ocorre regularmente, os ecossistemas têm água suficiente para prosperar. No entanto, a escassez de chuva, ou seja, períodos de seca, pode causar sérios problemas para a disponibilidade de água doce e a agricultura. Infelizmente, as mudanças climáticas estão perturbando esses padrões naturais.

As alterações nos padrões de chuva, e seca, segundo especialistas na matéria, afetam diretamente a disponibilidade de água doce em várias formas. Primeiro, a recarga de aquíferos subterrâneos depende das chuvas, e a falta de precipitação adequada pode esgotar essas reservas essenciais de água. Além disso, as secas prolongadas em rios e lagos reduzem a quantidade de água disponível para consumo humano, industrial e agrícola.

A diminuição da disponibilidade de água doce não afeta apenas as áreas áridas, mas também regiões anteriormente consideradas abundantes em água. O resultado é a competição crescente por recursos hídricos, o que pode levar a conflitos e crises de água em muitas partes do mundo.

Será que teremos num futuro não tão distante, “guerra pelo controle de aquíferos?


A agricultura é altamente dependente da água para o cultivo de safras e a criação de gado. As mudanças nos padrões de chuva e seca têm um impacto direto na produtividade agrícola. A falta de chuvas adequadas pode levar à seca, que pode resultar na perda de safras, escassez de alimentos e aumento dos preços dos produtos agrícolas.

Além disso, as inundações repentinas causadas por chuvas intensas também podem prejudicar a agricultura, destruindo plantações e levando à erosão do solo. Isso representa um desafio significativo para os agricultores que dependem de condições climáticas previsíveis para planejar suas safras.

Diante desses desafios, a adaptação e a mitigação são essenciais. A adaptação envolve a implementação de práticas agrícolas mais resilientes, como o uso de métodos de irrigação mais eficientes e a seleção de cultivos adequados às condições locais. A gestão sustentável da água também desempenha um papel fundamental na proteção dos recursos hídricos.

Além disso, a mitigação das mudanças climáticas é crucial. Reduzir as emissões de gases de efeito estufa ajuda a limitar o aumento das temperaturas globais, o que, por sua vez, pode ajudar a estabilizar os padrões de chuva e seca.

Pode se dizer, diante do quadro de degradação ambiental que o mundo vive atualmente, que as alterações nos padrões de chuva e seca representam um desafio significativo para a disponibilidade de água doce e a agricultura em todo o mundo.

À medida que as mudanças climáticas continuam a afetar nosso planeta, a busca por soluções inovadoras e práticas sustentáveis se torna cada vez mais urgente. A gestão responsável dos recursos hídricos, a promoção da resiliência agrícola e a redução das emissões de gases de efeito estufa são etapas fundamentais para enfrentar esse desafio e garantir a segurança alimentar e a disponibilidade de água doce para as gerações futuras.

10/15/2023

Por um Tribunal Penal Internacional do Clima: O grande desafio das mudanças climáticas

O nosso planeta está enfrentando um desafio sem precedentes, um desafio que afeta a todos nós, independentemente de onde vivemos, de nossa idade ou de nossa situação social. Estamos falando das mudanças climáticas, um problema global que está intimamente ligado ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, portanto são mudanças que, infelizmente, têm a influência da mão humana. 

Vivemos tempos difíceis, ambientalmente falando, e sem boas perspectivas. A única certeza que temos é que isso precisa de um freio.

A ciência tem alertado, ou melhor, gritado,  que as emissões de gases de efeito estufa são um dos maiores desafios ambientais do nosso tempo e como isso está afetando o mundo em que vivemos.

A gente ouve muito falar em efeito estufa na TV, blogs, podcast, revistas cientificas, mas o que são gases de efeito estufa?

O que são gases de efeito estufa? Os cientistas explicam que estes gases estão presentes na atmosfera que têm a capacidade de reter o calor do sol, criando uma espécie de "cobertor" que mantém a temperatura da Terra em um nível adequado para a vida. Alguns dos principais gases de efeito estufa incluem o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Nesse aspecto, funcionariam como uma espécie de cobertor. Sabe qual o problema, e quando ele começa?

O problema começa quando a atividade humana libera grandes quantidades desses gases na atmosfera. A principal fonte de emissões de CO2 é a queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás natural, para energia e transporte. O desmatamento e a agricultura também contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, liberando carbono armazenado em árvores e solo.

Ao longo das últimas décadas, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram significativamente devido ao crescimento da população, à industrialização e ao aumento da demanda por energia e produtos agrícolas. Como resultado, segundo a ciência, concentração desses gases na atmosfera atingiu níveis nunca vistos nos últimos milênios e tem desencadeado uma série de mudanças climáticas em todo o mundo. Estas mudanças incluem:

Aquecimento global:  que é o aumento da temperatura média da Terra, levando a ondas de calor mais intensas, derretimento das calotas de gelo e elevação do nível do mar.

Mudanças nos padrões de precipitação: Alterações nos padrões de chuva e seca, afetando a disponibilidade de água doce e a agricultura.

Eventos climáticos extremos: Aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como furacões, enchentes e incêndios florestais.

Perda de biodiversidade: Mudanças no ambiente afetam a distribuição e a sobrevivência de espécies, levando à perda de biodiversidade.

Impacto na saúde humana: As mudanças climáticas podem afetar a saúde das pessoas, aumentando o risco de doenças relacionadas ao calor, alergias e doenças transmitidas por vetores.

A urgência de agir

Diante dessas ameaças, a ação para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e enfrentar as mudanças climáticas é mais urgente do que nunca. Governos, empresas e indivíduos têm um papel a desempenhar na redução das emissões, na transição para fontes de energia limpa, na preservação de florestas e na adoção de práticas sustentáveis.

Além disso, a conscientização e a educação desempenham um papel fundamental. Quanto mais as pessoas entenderem a gravidade das mudanças climáticas e seu impacto em nossas vidas, mais provável será que tomemos medidas para mitigar o problema.

Em resumo, o aumento das emissões de gases de efeito estufa e as mudanças climáticas resultantes representam um dos maiores desafios ambientais de nosso tempo. No entanto, com ação global, cooperação e inovação, podemos enfrentar esse desafio e trabalhar juntos para criar um futuro mais sustentável e saudável para as gerações futuras.

Ainda há quem não acredite em todas essas evidências o que torna a situação mais complicada ainda. Seria o caso de se criar o Tribunal Penal do Clima (TPC) para sancionar as nações que não criarem mecanismos legais/educacionais que mude a rota em que se encontra hoje o Planeta Terra.

Se nada for feito, os sentenciados seremos nós,  os seres vivos , que corremos o risco de extinção. 

 

10/14/2023

RIO BURITICUPU, AMEAÇADO: *Principal afluente do Pindaré, pode secar, denuncia liderança Indígena*

 O Rio Buriticupu é um curso de água que banha o estado do Maranhão, sendo o principal afluente do Rio Pindaré. . Nasce no território indígena do município de Amarante Maranhão. O rio percorre as áreas rurais dos municípios de Bom Jesus das Selvas e Buriticupu, e seu principal afluente é o Rio Serozal.


O Rio Buriticupu é um curso de água que banha o estado do Maranhão, sendo o principal afluente do Rio Pindaré. . Nasce no território indígena do município de Amarante Maranhão. O rio percorre as áreas rurais dos municípios de Bom Jesus das Selvas e Buriticupu, e seu principal afluente é o Rio Serozal.

 O Rio Buriticupu está localizado na bacia hidrográfica do Mearim, que tem como rio principal o Mearim e , segundo denuncia o guardião da floresta *Laércio Guajajara*, este ano, pela primeira vez, a nascente do Rio sofreu com a seca. Para ele, problema provocado pelo desmatamento e outras agressões ambientais.

 Para a liderança, que é sobrevivente da emboscada que vitimou o primo , o também guardião da floresta, Paulinho Guajajara, crime de repercussão internacional, ocorrido em 2019 e ainda sem solução, a possível morte do Rio Buriticupu, é uma ameaça presente para a sobrevivência das comunidades indígenas e e não indígenas, e os animais que dependem dele para viver.

A morte do Rio Buriticupu seria uma perda irreparável para o meio ambiente e para as comunidades que dependem dele.

 Laércio Guajajara  também denuncia o desmatamento predatório da "terra araribóia"


É importante que sejam tomadas medidas urgentes para proteger o rio e restaurar sua saúde.

 Veja, acima, dois momentos da  entrevista de Laércio Guajajara!!

 

10/12/2023

*Com apoio do Governo do Maranhão e da União, Instituto Tukàn lança pedra fundamental da primeira universidade indígena do Brasil em território próprio*

 

*AMARANTE (MA)* - Os cerca de dez mil indígenas do Território Araribóia, no interior do município de Amarante, e não só eles, mas também de territórios vizinhos, vão ganhar a primeira faculdade indígena do Brasil construída em terras indígenas. A pedra fundamental do projeto foi lançada nesta quarta-feira, 11, pelo *Instituto TuKàn* que para o ato convidou   a ministra de Estado dos Povos Indígenas *Sônia Guajajara*, e o governador *Carlos Brandão*, acompanhado de vários secretários, entre eles o presidente da Agência Executiva Metropolitana do Sul do Maranhão (Agemsul)  *Vagtonio Brandão* e o secretário chefe da casa Civil *Sebastião Madeira*. 

O ato solene foi na Aldeia Lagoa Quieta, no Território Indígena Araribóia, sede   do Instituto Tukàn.

Além da pedra fundamental da faculdade, no local foram inaugurados uma sala de estudos (centro de saberes), onde já é possível ministrar alguns cursos técnicos, e um refeitório, aparelhos patrocinados pela Equatorial e pela Fribal, por meio da Lei Maranhense de Incentivo à cultura. O Governo do Maranhão, para melhorar o acesso ao local, também recuperou 10 quilômetros de estrada vicinal.

*Lázaro Alves,* que é membro/tarefeiro do instituto explicou ao presidente da Agemsul  Vagtonio Brandão como funciona e os propósitos do instituto, fundado há seis anos.

A agenda foi de trabalho, mas também festivo já que contou com show da cantora *Flávia Bittencourt* e da atriz e performer *Aurea Maranhão*. Além disso, os indígenas ritualisticamente apresentaram-se festivamente pintados entoando cânticos de alegria  típicos do povo guajajara.   

 


9/15/2023

TATAJUBA PELA MÚSICA: Nesta sexta-feira, Erasmo Dibell “conversa com Washington Brasil” no palco do Centro Cultural Tatajuba

 

Para o cantor e compositor Erasmo Dibbel, o Centro Cultural Tatajuba, entre as múltiplas atividades de fomento a cultura, agora abre espaço para o Projeto Tatajuba pela música, que se propõe a promover a música autoral produzida pelos artistas regionais. Até janeiro de 2024 serão cinco edições, mas segundo ele, o projeto deve ser ampliado. A primeira edição é hoje, com entrada franca, a partir das 19h, no palco do CCT, e o primeiro convidado é o também cantor e compositor Washington Brasil.

 São dois poetas, dois grandes letristas/compositores, cantores que se juntam num projeto musical inédito em Imperatriz, promovido pelo Centro Cultural Tatajuba com o patrocínio do Instituto Cultural Vale (ITV) e apoio da Suzano, para uma espécie de “diálogo musical”.  

 Não se trata de um show dançante.  Conforme destaca Erasmo Dibbel, curador do evento, já que o público (limitado a cem pessoas) terá a oportunidade de presenciar um diálogo musical intimista, onde será possível viajar pelos acordes de canções autorais dos artistas, algumas inéditas, e que marcaram e pontuam caminhada artística de ambos.

 Nesta entrevista Erasmo fala um pouco do mais que que será apresentado nesta sexta-feira às 19h no Centro Cultural Tatajuba

 Pergunta- O fato do Centro Cultural Tatajuba incluir esse projeto no cardápio do mês de setembro te deixa animado, no quesito da promoção da música maranhense?

 A vinda do CCT para Imperatriz acabou nos trazendo alento.  Para mim, hoje ele  é uma espécie de salvaguarda para nossa movimentação artística, um espaço onde  nós,  fazedores  de arte,   podemos contar para desenvolver nosso trabalho autoral. Hoje, não vamos tocar, a não ser a música que produzimos. Espero, que, junto com a equipe do Tatajuba, realizar um show dentro da expectativa de todos que lá forem para nos prestigiar.  


 Pergunta- Você poderia ter convidado, para esta primeira edição, qualquer outro artista, entre os muitos da seara musical maranhense.  Há um motivo especial para ter convidado Washington Brasil?

 Faltava na cidade um espaço para trabalhar a música autoral.  Acompanho a luta do Washinton Brasil e vejo nele uma certa dificuldade, nessa coisa de poder mostrar seu trabalho autoral num espaço adequado, com som de qualidade, com uma plateia atenta. Acredito que todos irão gostar, já que ele é um compositor talentoso.  O Washinton merece essa atenção.  Assim, como merecem a Lena Garcia, o Zeca Tocantins, o Paulo Maciel, e o Henrique Guimarães, que serão os próximos convidados do Projeto Tatajuba pela música.  

 Pergunta- Erasmo e Washington são amigos há muito tempo , dessa amizade já saiu alguma composição? 

 Ainda não fizermos  um trabalho autoral juntos,  mas em  duas oportunidades  estive presente na gravação de músicas de autoria dele. Viração, no tempo do “Canta Imperatriz”  e recentemente  na música Filhos do Maranhão, músicas inclusas no repertório desta noite.

Sou um compositor solitário, mas não me escondo quando os parceiros aparecem com algum tipo de provocação musical  

 Pergunta-  O repertório já foi escolhido? 

 Cuidamos disso como muito carinho. Definimos por doze músicas, autorais, de cada um.  Entre elas, algumas inéditas.  O formato do show é intimista, com um certo cunho didático. Uma oportunidade ímpar e gratuita para o imperatrizense aprender um pouco mais sobre nossa música. 

 Pergunta- Como você espera que o público saia desse encontro música?

 Confesso-me ansioso, mas espero q um público bem a vontade, que aprecie o que vamos apresentar, e que saia do show com a certeza de que Imperatriz, e o Maranhão, produzem uma música de qualidade

 Pergunta- Que análise você faz dessa abertura para a valorização da arte promovida pelo Centro Cultural Tatajuba?

 Muito feliz com a abertura desse espaço que surgiu para valorizar nossa arte, uma vez que o Tatajuba já se tornou, em tão pouco tempo, um ponto de difusão da nossa cultura. Um espaço, onde o artista, de todas as áreas, pode se expressar

Pergunta- Além desse projeto há outros em andamento?

 Eu ainda estou me descobrindo, dentro dessa função de curadoria, mas sim, temos uns projetos que estou elencando, e que pretendo levar para a aprovação da coordenação do CCT.  Se nossas ideias casarem, e forem aprovadas, não tenha dúvida: vem muita coisa legal, no campo musical, pela frente.

9/03/2023

Preconceito e Injustiça

Não só o ser humano sofre preconceito. Alguns animais irracionais, por vários motivos, também são vítimas. Na crônica de hoje vou me ater ao pobre urubu. A princípio, quando se observa com atenção, logo se descobre que o animal não é feio.  O macho tem o porte grande e altivo, com envergadura de asas negras e brilhantes, que pode alcançar dois metros. As pernas são fortes e musculosas, possuem bicos longos e afiados. Já a fêmea, se difere pouco do macho. Difícil até divisar quem é quem, mas os biólogos dizem que ela tem um bico pouco mais fino, e a plumagem é mais opaca.

Fico aqui a imaginar: de onde tiraram essa história que o urubu é um pássaro feio?   Seria por causa das penas pretas? E se eles fossem coloridos como, por exemplo, o pavão, mesmo comendo carne podre, as pessoas continuariam a ter asco dele. É de se pensar, não é mesmo?  

É possível concluir que o urubu, ave encontrada em quase todas as regiões do planeta, além de vítima de preconceito, é um injustiçado; principalmente quando muita gente o associa a episódios ruins, ou agourentos. Veja, que lástima!   Ninguém anda fazendo poesia sobre urubu. Por favor, é preciso mudar essa visão!   

O Urubu até que, aqui e acolá, aparece numa estorinha infantil, mas a maioria das vezes associado a malandragem, como um esperto ou como um grande vilão. Lembram do Zeca Urubu, da turma do Pica-Pau? No animado ele aparece como preguiçoso, guloso e trapaceiro, que sempre tenta se dar bem às custas dos outros. De 1948, o desenho termina por aumentar a aura negativa que paira sobre esse bonito animal.

Ainda não conheço nenhuma estorinha na qual o urubu apareça como herói, mas tem uma história, aqui neste lado do País, na qual a ave aparece como heroína. Foi em Açailândia, nos anos 1990, e quem me ajudou a lembrar foi a hoje jornalista e psicóloga Silvana Silvestre, na época vereadora.

Foram os urubus que ajudaram a desvendar o escabroso Caso Célia. Um terrível crime de morte ocorrido naquela cidade. Quando não havia mais esperança de se encontrar o corpo da vítima, a então parlamentar sugeriu ao lendário delegado Zé do Capim. “Siga a pista dos Urubus”. E foi assim, que o corpo da mulher foi encontrado e o crime desvendado. A então delegada Radige Barbosa, também conhece essa história. Se não fosse eles, talvez o corpo não tivesse sido encontrado e o crime passaria longe de ser elucidado.

Há dias que ensaiava escrever essa espécie de desagravo ao Urubu, até porque é a ave símbolo do meu time do coração, o Flamengo, desde de 1969. Sabiam que a torcida do flamengo adotou o urubu foi como um símbolo de resistência contra o racismo?  A história é bonita, e merece uma crônica só para ela.

Sigamos, já para os finalmente do texto de hoje.


A partir da observação do comportamento do urubu, ali na nossa Beira Rio, e há muitos por lá, ele ganhou mais ainda meu respeito e admiração.  Perceberam que eles não bolem com ninguém? Estão sempre na deles. São aves sociais, que vivem em grandes grupos.  Quando aparecem, é para comer e passar um bom tempo em solo. Se falta alimentos, eles alçam voo e lá do alto, bem do alto, vão à caça. Imagino que enxergam bem, e assim como as águias, bem  longe. Mas as pessoas preferem dizer “fulano tem visão de águia” para se referir àquela pessoa que enxerga coisas, e oportunidades, melhor do que as normais, a “fulano tem visão de urubu”. Mais uma injustiça. Onde está a equidade?

O Urubu, se a gente raciocinar direitinho e passar vê-lo sobre um novo viés, tem uma importância extraordinária, assim como todos os outros seres da terra.  Com poucos predadores disponíveis, a não ser eventualmente a pedrada de um menino peralta, ou a maldade de um Snipe, de espingarda de chumbinho, a população de urubus só cresce, principalmente nas grandes cidades.

Vejam o primeiro sinal da sua importância!  Se eles estão se achegando às grandes cidades, é porque há escassez de alimentos no seu habitat, sinal de desmatamento ou de algum desequilíbrio ecológico.  E se nelas aparecem, o atrativo é a sujeira e a existência de carniça.  Olha aí, se é produzida sujeira orgânica e o poder público não limpa, eles aparecem no pedaço, fazem o serviço de limpeza e ainda ficam de buxo cheio. Um salve aos eficientes urubus!

Está claro que os urubus desempenham um papel importante no meio ambiente, e isso precisa ser respeitado. Em muitas culturas, infelizmente, ele ainda é associado à morte, destruição e mal agouro, talvez por se alimentarem de carcaça de animais mortos, no entanto, quando se observa o todo ambiente, essa visão associativa pode mudar para um simbolismo de vida, renovação, limpeza e resistência, assim como em 1969 percebeu a torcida do Flamengo ao adotá-lo como símbolo da luta contra o preconceito racial.

 

 

 

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